O 3º PubhD de Lisboa em revista

PubhD LisboaUm fio social ligou os três temas em conversa no 3º PubhD de Lisboa. A integração da comunidade surda no contexto escolar, a vida social nocturna na Lisboa de oitocentos, e ainda uma outra vida social, mas agora a dos peixes, foram os temas que trouxeram investigadores e assistência ao BIBO Bar no dia 9 de Dezembro.

A língua gestual portuguesa deveria ser um dos instrumentos entre os recursos utilizados pelos professores do ensino especial, defendeu Joaquim Melro, doutorado pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa com um estudo sobre a comunidade surda no contexto escolar.

É necessário ir ao encontro da comunidade surda e incluí-la na sociedade de modo a que o seu potencial se exprima na totalidade. De facto, os surdos podem destacar-se em capacidades pouco desenvolvidas na população em geral, como por exemplo a leitura de subtis expressões faciais e a visão lateral.

E quem é que esteve no evento e não reparou na eloquência dos gestos com que o Joaquim sublinhou e dinamizou o seu discurso? Aprender a língua gestual portuguesa parece desenvolver também este outro instrumento muito útil a qualquer orador.

Na sala principal do BIBO Bar, onde em outras noites se ouve fado, poesia e jazz, Rosa Fina transportou a assistência para uma outra Lisboa nocturna, a de há mais de duzentos anos.

A Rosa, investigadora em História na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, descreveu os primeiros esforços de iluminação da cidade, melhoramento que tinha mais a intenção de dissuadir os criminosos e as práticas menos morais, do que de convidar os habitantes a viver a noite.

Hoje há no mundo metrópoles que nunca dormem, fruto dessa iluminação urbana que apagou o céu estrelado sobre as cidades e perturba o nosso relógio biológico interno, alertou a Rosa. Manter a separação entre a noite e o dia pode ser também uma questão de saúde pública.

A fechar a sessão, na voz pausada e quase melódica da Marta Iglesias, investigadora no Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud, ficámos a saber como as larvas de peixe interagem entre si em função da distância que as separa. Destas simples interacções a pares emergem comportamentos colectivos que a matemática é capaz de descrever.

A compreensão destes mecanismos a diferentes escalas pode também ajudar a compreender comportamentos colectivos nas sociedades humanas, já que existem partes do nosso cérebro que partilham com outras no cérebro dos peixes um passado evolutivo comum. Será também possível programar pequenos robôs para executar tarefas colaborativas, gerando uma inteligência artificial colectiva.

A 13 de Janeiro há novo encontro marcado no BIBO Bar. Três outros temas que estão a ser investigados em Lisboa serão objecto da curiosidade de uma conversa de bar, no 4º PubhD de Lisboa.

Até lá, e Boas Festas!

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