7º PubhD de Lisboa em revista

Design e Engenharia, duas áreas com muitas afinidades, fizeram o programa do 7º PubhD de Lisboa. Em duas horas falámos sobre o eucalipto comum, o betão de barragens, e a personalização de mobiliário.

 

A regeneração espontânea do eucalipto após incêndios florestais

Vinte e seis por cento da floresta de Portugal Continental é constituída pelo eucalipto comum, disse Ana Águas, investigadora no Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa.

Regeneração espontânea de eucalipto a partir de sementesOriginária da Tasmânia e com o nome científico Eucalyptus globulus Labill., esta espécie de eucalipto desenvolve-se facilmente no nosso clima temperado. A maior parte das plantações situam-se nas regiões litorais a norte do Tejo, onde as sementes germinam espontaneamente.

O Eucalyptus globulus Labill. é a espécie de eucalipto que permite a produção da melhor pasta de papel, e daqui deriva o seu alto valor económico, associado ao rápido crescimento da árvore.

Porém, esta árvore tem uma relação simbiótica com os incêndios. As cinzas que ficam no solo são favoráveis à germinação das sementes e ao desenvolvimento de novas árvores. Reciprocamente, os incêndios dependem do eucalipto, pois tanto a casca como os seus óleos são material muito combustível.

 

As propriedades do betão de barragens

Entre os vastos eucaliptais do centro do país não é raro encontrar albufeiras. Na construção das barragens a jusante foi utilizado um tipo de betão específico para suportar a força exercida por estes enormes volumes de água.

Barragem do Baixo Sabor
Barragem do Baixo Sabor

As propriedades do betão usado na construção das barragens são ainda pouco conhecidas e, por isso, estas obras de engenharia são projetadas com um nível de resistência superior à necessidade real, disse Carlos Serra, engenheiro e investigador na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e no Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

Conhecer melhor o betão de barragens permitirá optimizar os custos e o esforço na construção daquelas estruturas. A simulação por computador é um dos métodos de investigação.

As propriedades do betão usado na construção das barragens são ainda pouco conhecidas e por isso estas obras de engenharia são projetadas com um nível de resistência superior à necessidade real.

Nos seus modelos numéricos por computador, Carlos Serra não considera o betão como um material contínuo, rígido e homogéneo. Em vez disso testa o comportamento do betão como um conjunto de partículas agregadas.

Isto constitui por vezes um desafio, já que exige do computador o cálculo de dezenas de milhar de partículas. Facilmente se ultrapassam as capacidades de computação disponíveis.

Outro desafio que se coloca ao Carlos é a pesquisa dos estudos já feitos. A informação escasseia e o investigador acaba por não fazer o percurso que havia idealizado, disse Carlos Serra. O doutoramento é um desbravar do caminho possível, entre sobressaltos e incertezas, através do conhecimento que existe e com os meios à disposição.

 

Métodos de personalização de mobiliário

Da engenharia do betão, passamos à engenharia do mobiliário. A cadeira Thonet é um modelo de cadeira que no seu design já previa a combinação modular de diferentes partes, oferecendo ao consumidor um conjunto de variações.

Cadeira Thonet
Cadeira Thonet (fonte: Thonet GmbH)

Mário Barros, que recentemente concluiu o seu doutoramento em Design na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, projetou métodos que podem ser utilizados em ateliers de design para conceber produtos de mobiliário personalizáveis pelo consumidor.

Na prática trata-se de um sistema de parâmetros que pode ser configurado pelo designer e integrado no processo de engenharia e de produção. O objetivo é oferecer ao comprador um amplo leque de opções estéticas ou funcionais à sua medida.

No entanto, a indústria tradicional de produção em massa não tem forma de inserir este conceito no seu modelo de negócio. O Mário procura agora empresas que possam produzir em massa mas à medida, sem se basearem na acumulação de stocks.

 

A 11 de Maio teremos mais uma conversa, desta vez sobre Estudos Culturais, Geologia e História da Arte. Saiba mais sobre o próximo evento.

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