10º PubhD de Lisboa em revista

Debaixo de água ou rodeados por ela, foi assim a sessão de setembro.

O passado dos oceanos revelado pelos corais.

Lélia Matos no 10º PubhD de Lisboa
Lélia Matos no 10º PubhD de Lisboa. Créditos: Daniel Branco.

A dinâmica global da circulação das massas de água nos oceanos está ligada ao clima. Por esta razão, compreendê-la permitirá fazer previsões sobre a evolução futura de ambos.

Os padrões de circulação dessas massas de água variam ao longo de milhares de anos, conforme a Terra passa por épocas glaciares frias e épocas interglaciares quentes.

Por sua vez, estes padrões de circulação são diferentes a diferentes profundidades, disse-nos Lélia Matos1, investigadora em Paleocenografia – o estudo do passado dos oceanos.

A Lélia está a analisar os últimos 250 000 anos da história do mar no Estreito da Flórida, ao largo das Bahamas. Para tal recorre aos sedimentos e aos esqueletos de corais sub-fossilizados que se encontram entre 300 e 700 metros de profundidade.

Por exemplo, a determinação da idade dos esqueletos dos corais enterrados numa certa camada de sedimentos permite inferir, para a correspondente época do passado geológico, a dinâmica das massas de água nessa parte do oceano.

Uma galera ao largo da Austrália e cinco séculos de comércio.

Correio da Ásia
A investigação do Alexandre Monteiro foi tema da edição portuguesa de setembro da Nationgal Geographic.

Ao largo da costa oeste da Austrália, os corais recobrem os restos da galera portuguesa “Correio da Ásia”, que aqui naufragou há quase duzentos anos.

Foi a 25 de novembro de 1816 que os recifes de coral interromperam a sua viagem para a China ao longo da rota pelo sul do Índico, que encurta em seis meses a duração da viagem pela rota da Índia.

Contou-nos Alexandre Monteiro2 que esta galera continha 106 000 moedas de prata a bordo. Seriam trocadas na China por chá. Se a prata é um metal deficitário na China, o chá tinha um alto valor na Europa, onde era vendido com elevadas percentagens de lucro.

A arqueologia não é um terreno pacífico. Os governos utilizam-na como forma de marcação ou mesmo apropriação de territórios.

Só em 2004 uma análise magnética por avião permitiu, quase dois séculos depois, encontrar o paradeiro desta embarcação.

Restos históricos como este são património da humanidade, afirmou o Alexandre, mas a arqueologia não é um terreno pacífico. Os governos utilizam-na como forma de marcação ou mesmo apropriação de territórios. Por outro lado os caçadores de tesouros destroem o registo histórico, atraídos sobretudo por embarcações portuguesas e espanholas naufragadas entre 1500 e 1800.

Uma ilha nas correntes da política.

Sistemas eleitorais
Os sistemas eleitorais não são todos iguais.
Num sistema eleitoral por áreas, ou regiões, os “azuis” podem ficar em maioria, embora sejam em menor número.

Ainda na Oceânia, agora em Timor-Leste, a Carla Luís3 estuda a forma como se deve escolher o sistema eleitoral em países após um conflito e onde houve intervenção da ONU.

Nestes países há ainda armas em circulação, alguma violência latente e desconfiança nas instituições. São situações difíceis quando se pretende construir um Estado. É necessário ter também em conta fatores como a cultura, a literacia e a segurança.

Mesmo as instituições do “jogo” democrático ocidental não são universais, comentou a Carla. Diferentes países têm  diferentes regras para a sua democracia.

Mesmo as instituições do “jogo” democrático ocidental não são universais.

E essas regras podem mudar. A Carla alertou-nos para recentes mudanças no sistema político timorense, introduzidas pelos próprios partidos maioritários. Estas vão dificultar a constituição e manutenção de pequenos partidos políticos, favorecendo um sistema de grandes partidos.

Em outubro o PubhD de Lisboa celebra o primeiro aniversário e o BIBO Bar oferece o bolo. Será a 12 de outubro, com três novos temas que estão a ser investigados em Lisboa.

  1. A Lélia é investigadora de doutoramento no MARUM, Universidade de Bremen, na Alemanha, no Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em Lisboa, e no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro.
  2. O Alexandre é investigador de doutoramento no Instituto de Arqueologia e Paleociências (IAP) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
  3. A Carla Luís é investigadora de doutoramento no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra. Em 2012 trabalhou com a ONU em Timor.

 

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