13º PubhD de Lisboa em revista

A relação entre asma e eczema em crianças escocesas, cooperativas de bairro para o aproveitamento da energia solar, e a tecnologia do frio e a crise dos bacalhoeiros nos anos 30, foram alguns dos tópicos em conversa a 14 de dezembro.

Genes e fatores ambientais na saúde de crianças escocesas.

Asma e eczema e a mutação num gene.
Imagem de Cátia Bandeiras

O eczema, uma doença de pele, e a asma, uma doença respiratória, apesar de terem manifestações muito diferentes, estão relacionadas. Ambas têm uma componente alérgica. Sabe-se que crianças que têm eczema muito cedo e simultaneamente uma mutação num gene, têm maior probabilidade de vir a ter asma uns anos mais tarde.

Patrícia Soares, que é investigadora na Brighton and Sussex Medical School, no Reino Unido, está a estudar um conjunto de 1000 crianças escocesas que têm asma ou eczema.

O corpo de cada pessoa reage aos tratamentos para a asma ou o eczema de forma diferente.

Na Escócia, cerca de 18% da população tem estas doenças, o que pode ter tanto uma origem genética na população escocesa, como ser devido ao modo de vida nesta região. Fatores ambientais que favorecem o desenvolvimento destas doenças são o excesso de humidade e a utilização de materiais domésticos que a concentram, como as alcatifas.

O corpo de cada pessoa reage aos tratamentos para a asma ou o eczema de forma diferente. A Patrícia investiga a relação entre a mutação genética, a expressão mais ou menos intensa da doença, e a resposta a diferentes tratamentos. O seu objetivo é encontrar formas de administrar tratamentos personalizados para cada pessoa.

Estudar o urbanismo para melhor produzir eletricidade

Edifício Solaire, Nova Iorque
Edifício Solaire, em Nova Iorque. A fachada com painéis fotovoltaicos demonstra a integração estética de um sistema de geração de energia. (Créditos: solardesign.com)

No inverno, quando o Sol está mais baixo no céu, é mais eficaz o aproveitamento da radiação solar para geração de energia elétrica se os painéis solares estiverem nas fachadas dos edifícios. A fachada sul é a que permitirá maior produção de eletricidade, mas deverão igualmente ser consideradas as viradas a leste e a oeste, aproveitando o nascente e o ocaso, momentos do dia em que o consumo doméstico de eletricidade começa a aumentar.

Definir a instalação ideal destes painéis tendo em conta a geografia e a arquitetura urbana é o trabalho que está a fazer a Sara Freitas, investigadora no Instituto Dom Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e no programa doutoral MIT Portugal.

A Sara está a estudar alguns bairros de Lisboa, como por exemplo os Olivais, e acredita que o sucesso desta ideia dependerá não só do desenvolvimento de cooperativas de geração e auto-consumo entre os diferentes condomínios do mesmo bairro, mas também da estreita colaboração entre engenheiros e arquitetos.

O sucesso desta ideia dependerá do desenvolvimento de cooperativas de geração e auto-consumo entre os diferentes condomínios do mesmo bairro.

O mercado das soluções de células fotovoltaicas e painéis solares tem vindo a tornar-se mais acessível e a diversificar-se. Materiais de diferentes cores e maleáveis permitem já um leque de soluções estéticas que ajudarão a promover a viragem para o auto-consumo de energia elétrica em meio urbano.

A tecnologia do frio, do Estado Novo ao setor privado.

Susana Domingues
Susana Domingues explicando a tecnologia do frio industrial em Portugal no século XX. (Crédito: Sara Freitas)

No contexto de uma crise dos bacalhoeiros nos anos 30, o governo do Estado Novo viu a necessidade de conservar o bacalhau de um ano para o outro. Decidiu então investir na tecnologia do frio industrial, mandando construir uma rede de armazéns frigoríficos, de que é um exemplo o edifício onde está hoje instalado o Museu do Oriente, em Alcântara, Lisboa.

É neste museu que Susana Domingues faz visitas guiadas com enfoque na arquitetura industrial do edifício, embora atualmente esvaziado do antigo equipamento do frio.

O frio industrial é o ponto de partida de uma cadeia que termina nos nossos frigoríficos domésticos.

Investigadora no Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, a Susana está a pesquisar a história desta tecnologia no nosso país até 1986, ano em que ingressámos na Comunidade Económica Europeia e se extinguiram vários organismos nacionais de regulamentação económica.

Apesar de a iniciativa partir do Estado, a Susana tem verificado que grande parte da rede do frio em Portugal, sobretudo nos anos 60 e 70, foi desenvolvida pelo setor privado, sendo, por exemplo, a Olá um dos principais atores.

Segundo explicou a Susana, o frio industrial é o ponto de partida de uma cadeia que termina nos nossos frigoríficos domésticos. Desenvolveu-se ao longo do século XX para responder aos padrões de qualidade e de conservação dos alimentos exigidos pela moderna sociedade de consumo.


Leia também o resumo do 13º PubhD de Lisboa, em inglês, publicado por Cátia Bandeiras no seu blogue:
https://apulgarita.wordpress.com/2016/12/18/pubhd-explain-your-phd-in-a-bar/

A 11 de janeiro teremos mais uma conversa, desta vez sobre História da Arte, Informática, e um terceiro tema para o qual procuramos um orador – Contacte-nos ou divulgue!
Saiba mais sobre o próximo evento. Será no Bar Irreal.

Se quiser estar sempre a par dos próximos eventos do PubhD de Lisboa, subscreva a nossa mailing list (apenas um e-mail por mês).

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