14º PubhD de Lisboa em revista

A tecnologia percorreu os três temas do PubhD de Lisboa de janeiro.

Comparar imagens para encontrar respostas

Imagem extraída do website Nova Medical Search
Imagem extraída do website Nova Medical Search,
https://medical.novasearch.org/general/example/3

Os médicos recorrem a vários auxiliares para fazerem um diagnóstico. Um deles consiste em pesquisar nos artigos científicos por casos semelhantes, executando pesquisas de texto, como a que fazemos nos motores de busca na internet.

No entanto, existe informação nas imagens médicas que acompanham os artigos científicos e que está ausente do conteúdo textual. Se o médico puder comparar imagens de exames clínicos do seu paciente com imagens de casos semelhantes, poderá encontrar artigos científicos que não lhe seriam listados numa pesquisa apenas pelo texto.

É nesta área que está a trabalhar o André Mourão, permitindo que um médico faça o “upload”, ou carregue uma imagem para um sistema que, de forma automática, a irá analisar e comparar com milhares, ou mesmo milhões, de outras imagens nas bases de dados da literatura médica em acesso aberto.

Investigador em informática no laboratório NOVA-LINCS da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, o André trabalha com o reconhecimento automático de imagens, a otimização do sistema para pesquisas em larga escala, e a integração da informação textual e visual.

Se o médico puder comparar imagens de exames clínicos, poderá encontrar artigos científicos que não lhe seriam listados numa pesquisa apenas pelo texto.

O protótipo deste sistema está disponível num endereço público, mas o André recomenda que não seja usado com imagens médicas pessoais, sendo uma futura ferramenta de apoio à atividade profissional em medicina. O endereço é http://medical.novasearch.org

A arte e a tecnologia de mãos dadas, ou nem por isso

Robotic Action Painter
Obra criada por RAP – Robotic Action Painter.
Créditos: Leonel Moura. Imagem extraída do website http://obviousmag.org

“Toda a arte é tecnológica”, disse José Oliveira, que investigou o tema do código, genético ou informático, na arte portuguesa da segunda metade do século XX. Recém-doutorado em História da Arte pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, o José estudou o trabalho de artistas como Marta de Menezes e Leonel Moura, e sondou as repercussões desse trabalho junto dos cientistas com quem contactaram.

Segundo o José Oliveira, desde a década de 60 que os artistas que trabalham meios de expressão tecnológicos, ou inspirados na ciência, utilizam processos de disseminação paralelos às instituições tradicionais do meio artístico. São processos que visam mostrar e legitimar a sua arte ‘proscrita’, tal como o fizeram os seus antecessores impressionistas no século XIX.

José Oliveira apercebeu-se que as residências artísticas não têm real impacto sobre o fazer da ciência, e que são raros os casos de cientistas que fazem residências em ateliês ou escolas de artes.

Em pleno século XXI, porém, está quase generalizada a ideia de que os artistas, por pensarem ‘fora da caixa’, podem gerar novas ideias e promover a inovação científica e tecnológica. Existe um interesse político pelo cruzamento entre a arte e as ciências, e são muitos os apoios para os artistas que queiram trabalhar nesta fronteira, nomeadamente programas de residências artísticas em centros de investigação.

Nos seus contactos com cientistas, o José Oliveira apercebeu-se que as residências artísticas não têm real impacto sobre o fazer da ciência. Por outro lado, são raros os casos de cientistas que fazem residências em ateliês ou escolas de artes.

Serve a arte, como disse José Oliveira, para “questionar e fazer-nos pensar sobre o que nos rodeia”, incluindo o fazer da ciência e a tecnologia que permeia a sociedade? Ou poderá, em muitos casos, como uma pessoa na assistência sugeriu, estar a ser aproveitada como forma de promoção da própria ciência e da tecnologia em que se inspira?

Produzir medicamentos mais baratos e acessíveis

Rita Santos
Rita Santos, do ITQB, no PubhD de Lisboa

A insulina, uma substância que é administrada a pessoas com diabetes, é um exemplo de um fármaco que começou por ser produzido artificialmente com recurso a colónias de bactérias. Como as substâncias produzidas por bactérias não são exatamente iguais às produzidas pelo corpo humano, podem ocorrer reações alérgicas, o que motivou o desenvolvimento da produção usando células de animais, mais semelhantes às do nosso organismo.

Porém, as células animais são muito sensíveis ao contacto humano no ambiente de produção (por exemplo, à presença de um vírus da gripe), pelo que obrigam a custos significativos ao nível do equipamento.

É fácil e barato produzir fármacos com células de plantas modificadas geneticamente. Uma das vantagens será tornar mais acessíveis certos medicamentos em países em desenvolvimento.

Rita Santos trabalha com uma solução recente, que soluciona ambos os problemas anteriores: a utilização de células de plantas. A Rita é investigadora no Instituto de Tecnologia Química e Biológica, da Universidade Nova de Lisboa e trabalha com culturas de células de plantas modificadas geneticamente para produzirem fármacos.

A introdução no ADN das células de plantas do código genético para produzir, por exemplo, proteínas humanas, como a insulina, é um processo fácil e barato. Uma das vantagens será tornar mais acessíveis certos medicamentos em países em desenvolvimento.

Será ainda necessário descobrir formas de aumentar a produtividade, até que as empresas farmacêuticas decidam investir mais nesta tecnologia. Por outro lado, segundo a Rita, a legislação europeia sobre organismos geneticamente modificados é excessivamente restritiva, o que limita a investigação usando culturas de plantas ao ar livre, processo de produção que teria várias vantagens.


A próxima sessão do PubhD de Lisboa será a 8 de fevereiro, no Bar Irreal. Psicologia Social e Oceanografia são dois temas já confirmados.
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