17º PubhD de Lisboa em revista

O comércio de arte ‘degenerada’ em Portugal,  compreender por que a nossa espinal medula não regenera após uma lesão, e a masculinidade em orgias entre homens, foram os três temas em conversa no PubhD de Lisboa de abril.

Arte ‘degenerada’ em trânsito

Cena de um leilão de arte 'degenerada' em 1938Muitas obras de artistas alemães espoliadas pelo regime nazi encontravam-se em museus e coleções dos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial. Para Inês Fialho Brandão, historiadora na National University of Ireland, sendo Portugal um dos poucos países que mantiveram uma ligação transatlântica durante a guerra, é natural perguntarmo-nos se serviu de local de venda ou passagem destas obras.

A proveniência das obras que se encontram hoje em museus e coleções é uma questão que, segundo a Inês, não tem sido uma prioridade para os museus portugueses. Porém, algumas das obras poderão fazer parte do conjunto que foi retirado pelos nazis aos seus legítimos proprietários, sejam artistas ou colecionadores.

As obras espoliadas, com o argumento de serem ‘arte degenerada’, ou eram destruídas, ou eram vendidas no estrangeiro de forma a financiar o regime.

Um possível negociante de arte de nacionalidade alemã estabelecido no estrangeiro terá sido Karl Buchholz, que criou uma rede de livrarias, incluindo a de Lisboa em 1943.

Tendo sido Portugal um país onde viveram ou por onde passaram refugiados durante a Segunda Guerra Mundial, entre eles artistas e colecionadores, a Inês pesquisou informação sobre outros negociantes de arte estabelecidos, por exemplo, em Lisboa e na Figueira da Foz, assim como os arquivos alfandegários relativos aos trânsitos para os Estados Unidos.

Cicatrizar a espinal medula

Neurónios MotoresOs seres humanos, assim como os mamíferos em geral, não têm capacidade de formar novos neurónios motores, ao contrário do que acontece à maioria dos outros tecidos do corpo, como a nossa pele. É por esta razão que lesões na espinal medula podem conduzir à paralisia.

 

Verifica-se porém que os neurónios motores humanos, quando isolados do corpo e em condições favoráveis, são capazes de se regenerar.

Além disso, não são diferentes dos neurónios motores de outros animais que têm a capacidade de os regenerar, como o peixe-zebra. Este peixe é precisamente o objeto de estudo de Isaura Martins, investigadora no Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa.

Peixe-zebraConclui-se então que o que difere entre o peixe-zebra e os seres humanos é o ambiente em que estas células se encontram no nosso corpo – há algo na nossa espinal medula que inibe a regeneração.

A hipótese em que a Isaura está a trabalhar é a de que as células da rede vascular que irriga o tecido possam ter alguma influência. Por exemplo, poderá explicar-se pela libertação ou não de uma substância que inibe ou que favorece a regeneração dos neurónios motores. Ainda que tal processo seja identificado e possa ser compensado no momento de uma lesão, será necessário conhecer o seu papel no nosso corpo e se interferir nele não trará outras consequências.

A masculinidade em festas entre homens

"La Bacchanale"
“La Bacchanale”, Pablo Picasso, 1944
Acedido em http://cs.nga.gov.au/Detail.cfm?IRN=115972

Existem no Rio de Janeiro algumas casas comerciais onde se realizam festas de orgia exclusivas para homens. Estas práticas existem também em contextos espontâneos. Victor Hugo Barreto, que concluiu o seu doutoramento no Centro em Rede de Investigação em Antropologia e na Universidade Federal Fluminense, interessou-se por saber de que forma estas práticas reforçam ou contrariam a normalidade em termos de identidade sexual.

Nas festas, que o Victor estudou de um ponto de vista etnográfico, existem pessoas de vários estratos sociais e em geral não se conhecem fora daquele espaço. Segundo o Victor, os participantes nestas festas estão unicamente interessados no prazer e numa abordagem tipicamente masculina, a de se levarem aos seus próprios limites. Trata-se da mesma masculinidade que se encontra noutras manifestações sociais, como os desportos radicais. Esta razão poderá explicar por que é quase inexistente o equivalente feminino.

Outro aspeto registado pelo Victor foi o facto de os membros destes clubes não se identificarem com o discurso homossexual, com o argumento de que o sexo para eles não tem identidade. Desta forma se excluem das manifestações sociais associadas aos movimentos LGBT.


A próxima sessão do PubhD de Lisboa será a 10 de maio, no Bar Irreal.
Se quiser estar sempre a par dos eventos do PubhD de Lisboa, subscreva a nossa mailing list (apenas um e-mail por mês).

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.