39º PubhD de Lisboa em revista

Novos métodos de diagnóstico e terapia para o cancro da mama e a conservação das mantas gigantes no México

Novos métodos de diagnóstico e terapia para o cancro da mama

O cancro da mama é o tipo de cancro mais frequente entre as mulheres de todo o mundo. Segundo a Andreia Ferreira, investigadora de doutoramento no Centro de Estudos de Doenças Crónicas (CEDOC) da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal morrem cerca de 6000 mulheres por ano, o equivalente a quatro mulheres por dia. Apesar de existirem melhorias nos métodos de diagnóstico, sensibilização e formas de prevenção, ainda não se compreendem os mecanismos que levam uma célula a tornar-se invasiva.

Esta investigadora dedica-se, em particular, ao estudo de tumores não invasivos  e invasivos causadores das metástases (formação de novos tumores em diferentes órgãos) que são responsáveis pelo maior número de mortes. Está empenhada em fazer um estudo do carcinoma (tumor), nomeadamente através da análise de uma família de proteínas que transportam moléculas e controlam o seu “tráfego”, quer dentro das células, quer fora delas. Esta família de proteínas é pouco conhecida, havendo poucos estudos sobre a sua relação com o desenvolvimento de cancros invasivos. Ainda assim, a investigadora foca-se neste tipo específico de proteínas, referindo que 

Se não houvesse um se, não havia ciência.

Andreia Ferreira no 39º PubhD de Lisboa.
(créditos: Carolina Figueira)

A Andreia utiliza preferencialmente células de pacientes com cancro da mama, com amostras de tumores invasivos e não invasivos, que lhe permitem uma análise mais concreta da progressão desta doença. Mas, o acesso a estas amostras nem sempre é facilitado e nem todas podem ser utilizadas. Então, utiliza outros métodos para conseguir analisar a progressão do cancro da mama (como linhas celulares ou culturas de células em três dimensões).

O projeto procura compreender o papel deste tipo de proteínas na progressão do cancro da mama, comparando a sua expressão no cancro invasivo e não invasivo, com o objetivo de desenvolver terapias bem como métodos de diagnóstico, de forma a conseguir distinguir os casos que vão progredir para cancro da mama invasivo daqueles que nunca vão progredir. Deste modo, é possível evitar mastectomias (tratamento cirúrgico onde se remove completamente a mama) ou radioterapias desnecessárias, que atacam também outras partes do nosso organismo e têm acentuados efeitos secundários que afetam a nossa vida do dia-a-dia. 

A conservação das mantas gigantes no México

As mantas gigantes (Mobula birostris) são espécies oceânicas que podem medir 7 a 9 metros (de dimensão entre “asas”). Apelidadas de gentle giants, vivem em alto mar, possuem o maior cérebro dos peixes, reproduzem-se lentamente (a sua gestação decorre durante 12 meses e só têm crias a cada 3 ou 4 anos) e, também por isso, em 2011 foram consideradas uma espécie vulnerável. 

Madalena Cabral no 39º PubhD de Lisboa.
(créditos: Carolina Figueira)

Madalena Cabral, bióloga marinha e investigadora de doutoramento na Universidad Autónoma Baja California Sur, refere que as mantas gigantes não vivem nem sobrevivem em aquário e são pescadas quer intencionalmente, quer em redes de pescas de outros peixes. Quando pescadas, sobretudo pelas suas branquias (que filtram o plâncton, pequenos organismos que servem de alimento a animais maiores) são utilizadas principalmente na medicina chinesa em vários medicamentos tradicionais. 

As mantas valem mais vivas do que mortas,

uma vez que representam uma receita de cerca de 100 milhões de dólares por ano no turismo. Esta investigação tem o objetivo de compreender os hábitos das mantas gigantes, especificamente no México (como o facto de visitarem diversos locais e porquê) como meio de facilitar as tomadas de decisão acerca da gestão do espaço no que toca a esta espécie. Perceber, por exemplo, as zonas que devem ser protegidas, as alturas do ano em que as pescas devem ser suspensas, estabelecer os limites de pesca ou cooperação entre países.

Como ferramentas utiliza uma base de dados, criada em 2006, com fotografias do ventre das mantas que servem como impressão digital de cada uma. Estas fotografias podem ser tiradas por qualquer pessoa que faça mergulho, que envia para a base de dados e revele algumas indicações. Esta metodologia insere-se na Ciência Cidadã onde o cidadão comum participa ativamente na produção de conhecimento científico. 

A Madalena tem vindo a trabalhar também com um sistema de tags (etiquetas) que são ferramentas do tamanho de uma caneta, que se colocam nas mantas aquando do mergulho com arpão, possuem um sistema automático de libertação e que envia a informação por satélite. Uma vez que em profundidade este sistema não funciona, o tag envia a informação apenas quando a manta vem à superfície.

As rotas de movimento das mantas gigantes obtêm-se através da sobreposição de variáveis como mapas com os locais onde habitam, mapas de fotos por satélite, a clorofila ou a temperatura da água. Segundo a investigadora, as correntes marítimas podem também ter influência nestas rotas, mas é difícil obter dados que comprovem de que forma têm influência. Não descarta também a possibilidade das alterações climáticas a que assistimos poderem influenciar e transformar as rotas das mantas gigantes.

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