42º PubhD de Lisboa em revista: 1ª parte

A videira e os seus mecanismos para combater doenças: este foi um dos temas em conversa na sessão do 42º PubhD de Lisboa.

A videira e os seus mecanismos para combater doenças

A videira é uma das culturas de fruto mais cultivadas em todo o mundo, sendo o seu produto, o vinho, muito importante economicamente, em cada vez mais países. O estudo da interação entre a videira e o míldio, que é um conjunto de doenças específicas das plantas, é o objeto de estudo da investigação da Ana Rita Cavaco, investigadora do BioIsI da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

A espécie de videira mais utilizada na produção de vinho e na agricultura intensiva é muito suscetível a várias doenças, como o míldio. Todos os anos o míldio coloca em causa cerca de (até) três quartos da produção e encontra em Portugal as condições de humidade e de temperaturas ideias para o seu desenvolvimento.

Para combater esta doença, faz-se a aplicação de pesticidas, de forma intensiva (ou seja, de 15 em 15 dias), desde a primeira folha até à maturação das uvas.

Ora, os pesticidas podem ter efeitos nocivos não só na poluição dos solos, mas também no ecossistema e até na nossa saúde. É, por isso, muito importante encontrar alternativas mais sustentáveis para o combate a esta doença.”

Uma das formas de reduzir o uso dos pesticidas nas vinhas é a compreensão da interação entre a planta e a doença (a videira e o míldio), de forma a perceber os seus mecanismos para a combater. Para conseguir fazer isto, a Ana Rita diminuiu a escala, reduzindo-a ao nível da célula. Centra-se no papel das membranas que estão em torno da célula (e de alguns dos seus componentes) e que são constituídas por uma camada de lípidos ou gorduras. 

Ana Rita Cavaco
(Créditos: Carolina Figueira)

Neste contexto, os lípidos têm não só a função de manter a estrutura das células, mas também têm uma função energética e de sinalização. Numa situação de doença por míldio, os lípidos transmitem uma mensagem à célula, que leva à formação de uma hormona vegetal (o ácido jasmónico), que vai desencadear as respostas de defesa da videira.

A Ana Rita tem como objetivo compreender como é que esta mensagem é transmitida e de que forma se realiza esta sinalização no interior das células. Para esse resultado, utiliza videiras de uma casta suscetível (que não é tolerante ao míldio) e videiras de uma casta não suscetível. Costuma utilizar como modelo de sensibilidade a trincadeira, muito utilizada nos vinhos portugueses e como modelo tolerante um híbrido alemão.

Infeta as duas espécies com míldio e vai recolhendo folhas, onde vai medindo o seu conteúdo em lípidos, normalmente desde o momento em que as infeta até que aparecem os primeiros sintomas. Conseguiu, até agora, perceber que existem diferenças entre as espécies suscetíveis e não suscetíveis. Enquanto nas variedades que não são suscetíveis existe uma alteração da quantidade de lípidos, o que significa uma transmissão da mensagem, tal não ocorre na variedade suscetível. Enquanto as variedades tolerantes apresentam várias reações, até causando a morte programada de algumas células para impedir que a doença possa progredir, a trincadeira está bastante suscetível e fica apenas à espera de se degradar completamente.

A Ana Rita refere que a sua investigação pode ser útil para os agricultores uma vez que espera que, numa fase precoce, ainda antes de surgirem os primeiros sintomas nas videiras, estes serem capazes de detetar a doença. Isso pode permitir que se faça no futuro uma aplicação racional dos pesticidas. 

Não perca a 2ª parte, a publicar em breve.

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