29º PubhD de Lisboa Comunicação Política e Imunologia

Quarta-feira, 6 de junho de 2018, 19:30 – 21:00, no Bar Irreal

O ressentimento nos discursos eleitorais, e quando o corpo se volta contra si próprio, serão os temas em conversa na sessão de junho do PubhD de Lisboa (Atenção: uma semana mais cedo do que o habitual!)

O PubhD de Lisboa reúne investigadores de doutoramento, ou pós-doutoramento, no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 25 minutos para perguntas.

Os oradores

Marcos Queiroz (Comunicação Política) procura identificar a utilização do ressentimento nos discursos políticos durante as autárquicas de 2017 em Lisboa e também nas eleições para o governo do estado de São Paulo em 2018.

Numa perspetiva geral, o seu trabalho aborda criticamente os discursos políticos e eleitorais numa época em que estes se caracterizam por serem conservadores ou extremistas.

O Marcos é investigador em Ciências da Comunicação no ISCTE, do Instituto Universitário de Lisboa. É também professor na Escola de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, no Brasil.

Vital Domingues (Imunologia) está a investigar as situações em que o corpo, e os seus órgãos, são atacados pelo próprio sistema imunitário, o qual, em situações normais, os deveria proteger.

Em concreto, o Vital procura identificar o papel dos tecidos celulares na evolução das doenças provocadas por este ataque, mais especificamente, quando ele ocorre em vários órgãos. Tal permitirá desenvolver estratégias de proteção ao nível destes tecidos e que conduzam a possíveis tratamentos.

Vital Domingues é investigador no Instituto Gulbenkian de Ciência. É médico, formado no Porto, e especialista em medicina interna. Ao mudar-se para Lisboa, mudou também da atividade clínica para a investigação em ciência fundamental.

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28º PubhD de Lisboa: Astrofísica e Meteorologia

Quarta-feira, 9 de maio de 2018, 19:30 – 21:00, no Bar Irreal

A sessão de maio do PubhD de Lisboa será dedicada à atmosfera, da Terra e não só. Vamos descobrir algo sobre os fortíssimos ventos do planeta Vénus, e como se poderá prever as horas de sol na era das energias renováveis.

O PubhD de Lisboa reúne investigadores de doutoramento, ou pós-doutoramento, no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 25 minutos para perguntas.

Os oradores

Painéis solaresRodrigo Amaro e Silva (Meteorologia) pretende melhorar a previsão do tempo de Sol ou de nuvens que fará nas próximas horas, minutos e até segundos.

O seu objetivo é que uma previsão tão minuciosa permita gerir as expectativas em relação à produção de energia solar. Sendo possível prever quedas na produção de energia solar, poder-se-ão planear formas de as compensar.

O Rodrigo é investigador de doutoramento no Instituto Dom Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. É por natureza curioso e distraído, orgulhoso de ser natural do Barreiro, e sente enorme prazer em comunicar ciência e em jogar futsal.

Vénus
O lado noturno de Vénus visto no infravermelho pela sonda espacial japonesa Akatsuki (créditos: ISAS, JAXA)

Ruben Gonçalves (Astrofísica) está a estudar os ventos e a composição química da atmosfera de planetas e luas do Sistema Solar, em particular Vénus e Titã, lua de Saturno.

Vénus em concreto, é um planeta muito semelhante à Terra, mas com uma atmosfera radicalmente diferente e que nos pode ajudar a compreender a sorte que (ainda) temos aqui na Terra.

Uma vez este conhecimento reunido, incluindo o aperfeiçoamento das técnicas utilizadas, será possível aplicá-lo ao estudo da atmosfera de muitos dos planetas extrasolares que têm sido descobertos a orbitar outras estrelas, alguns deles potencialmente parecidos com a Terra.

O Ruben é investigador de doutoramento no Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. É mestre em Astrofísica e Cosmologia e é um exemplo de que nunca é tarde para recomeçar a vida académica, tendo reiniciado os estudos superiores aos 27 anos.

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27º PubhD de Lisboa

Biomecânica, e Ciência e Sociedade

Quarta-feira, 11 de abril de 2018, 19:30 – 21:00, no Bar Irreal

A consolidação de fraturas ósseas, e a participação de uma comunidade de moradores num projeto de investigação científica, serão os temas em conversa na sessão de abril do PubhD de Lisboa.

O PubhD de Lisboa reúne investigadores de doutoramento, ou pós-doutoramento, no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 25 minutos para perguntas.

Os oradores

Reparação de fraturas ósseas com estruturas de suporte.
Reparação de fraturas ósseas com estruturas de suporte.

André Castro (Biomecânica) está a estudar as estruturas utilizadas na consolidação de fraturas ósseas.

Usando simulações por computador, pretende primeiro perceber as diferenças entre o que é projectado e o que é efectivamente fabricado. Depois, quer certificar-se de que estas estruturas não provocam novos problemas no corpo.

O André é investigador de pós-doutoramento no Instituto Superior Técnico em Engenharia Biomédica e tem especial interesse por tecnologias que possam melhorar o desempenho do corpo humano e as condições de vida.

Bairro na Trafaria ameaçado pela subida das águas.
Bairro na Trafaria ameaçado por galgamentos das águas e cuja associação de moradores participa num projeto de ciência cidadã.

João Cão (Filosofia das Ciências/Ciência e Sociedade) quer perceber como diferentes conceitos de território podem informar o que é a ciência cidadã.

Chama-se ‘ciência cidadã’ à participação pública na investigação científica, que começou com iniciativas de cientistas que precisavam de colaboradores para recolher ou tratar informação. Contudo, a ciência cidadã também pode partir da própria sociedade, como por exemplo de grupos com preocupações ambientais.

O João trabalha num projecto de ciência cidadã que reúne moradores, decisores e geólogos para analisarem a situação de risco costeiro de um bairro na Trafaria.

João Cão é investigador de doutoramento no Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa no âmbito do Programa Doutoral em Filosofia da Ciência, Tecnologia, Arte e Sociedade, com especialização em Ciência e Sociedade.

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26º PubhD de Lisboa

Alterações Climáticas, e Neurociências Cognitivas

14 de março, 19h30 – 21h00, no Bar Irreal

O que acontece no cérebro dos humanos quando ocorre um acidente vascular cerebral, e o que acontece no cérebro dos ‘peixes limpadores’ como consequência das alterações climáticas, serão os temas em conversa na sessão de março do PubhD de Lisboa.

O PubhD de Lisboa reúne investigadores de doutoramento, ou pós-doutoramento, no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 25 minutos para perguntas.

Os oradores:

Formas de estudar o cérebro após uma lesão.
Formas de estudar o cérebro após uma lesão.
Créditos: Inês Tello Rodrigues.

Inês Tello Rodrigues (Neurociências Cognitivas) quer perceber melhor o que acontece no cérebro quando ocorre um acidente vascular cerebral (AVC).

Este trabalho tem como objetivo aprofundar aquilo que se sabe sobre os nossos mecanismos de adaptação a uma lesão no cérebro e, com base nisso, desenvolver técnicas que permitam influenciar e aproveitar esses mecanismos.

A Inês desenvolveu este trabalho no seu doutoramento no Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa, e está a programar um projeto de pós-doutoramento na mesma área.

É Terapeuta da Fala há 14 anos e durante a sua prática clínica especializou-se em pessoas com alterações da comunicação provocadas por lesões cerebrais.

A Inês Tello Rodrigues é doutorada em Neurociências Cognitivas e é apaixonada pela plasticidade com que o cérebro se consegue ajustar e adaptar.

A interacção mutualistica de limpeza entre os peixes limpadores Labroides dimidiatus e os seus clientes.
A interacção mutualística de limpeza entre os peixes limpadores “Labroides dimidiatus” e os seus ‘clientes’.
Créditos: José Ricardo Paula.

José Ricardo Paula (Alterações climáticas / Biologia Marinha) pretende conhecer uma das implicações das alterações climáticas: o seu efeito no comportamento dos ‘peixes limpadores’, que vivem nos recifes de coral (os locais no mundo de maior biodiversidade marinha), e dos quais dependem indiretamente os stocks de pesca.

Para isso o José Ricardo procura compreender como é que a acidificação e o aquecimento da água dos oceanos, causados pelo aumento de dióxido de carbono na atmosfera, afectam os comportamentos complexos de cooperação entre os peixes limpadores, nomeadamente os mecanismos cerebrais subjacentes a esses comportamentos.

José Ricardo Paula
José Ricardo Paula

José Ricardo Paula é investigador de doutoramento no Laboratório Marítimo da Guia (MARE) da Universidade de Lisboa e no Lizard Island Research Station na Austrália. É mestre em Biologia da Conservação, apaixonado por processos de cooperação, e adora levar o laboratório para debaixo de água.

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24º PubhD de Lisboa em revista

Crianças e espíritos nas práticas animistas, e a reconstituição da história do vidro a partir dos seus fragmentos, foram os temas em conversa na sessão de janeiro do PubhD de Lisboa.

Crianças e espíritos nas práticas animistas

Em certas comunidades da Guiné Bissau existe a prática de infanticídio, associada à visão do mundo da religião animista. Nas crenças animistas, cada ser humano tem uma alma, a qual não morre com a morte do corpo mas torna-se um espírito, reunindo-se aos dos antepassados. Alguns deles, acredita-se, voltam a habitar um corpo de criança.

Claudia Favarato, no 24º PubhD de Lisboa
Claudia Favarato, no 24º PubhD de Lisboa. (créditos: Carolina Figueira).

Claudia Favarato, investigadora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, está a estudar as implicações políticas da prática de infanticídio neste contexto africano. Como professora de português e inglês numa missão católica, teve contacto com as comunidades que o praticam, apesar de ser um assunto tabu de que não se fala no dia-a-dia.

Quando uma criança nestas comunidades nasce com visíveis características físicas ou mentais fora do normal – por exemplo com síndrome de Down, ser albino, ou até nascerem gémeos – ela não é vista como um humano, mas como um corpo habitado por um espírito. Se permanecer na comunidade irá trazer desgraças. São as chamadas crianças-irân.

Devido a uma conceção que está tão enraizada nestas culturas, a presença de uma criança-irân está naturalmente associada a medo e sofrimento.

Nestes casos, a comunidade realiza um ritual religioso para verificar a natureza humana ou espiritual da criança. No decurso deste ritual, a criança pode ser, por exemplo, deixada junto a um dos braços de mar que entra no território da Guiné Bissau e entregue aos desígnios das marés. Esta prática não é porém entendida pelas pessoas como um homicídio. É praticada tanto em meio rural como em meios urbanos, e é independente do nível de instrução das pessoas.

Segundo a Claudia, não é fácil o poder legislativo central da Guiné Bissau exercer o direito nestas regiões onde mesmo no tempo colonial português o poder não se impôs. No entanto, para a Claudia Favarato, não se deve impôr uma visão europeísta sobre este tema sem procurar entender e respeitar a cultura local, os seus princípios e valores.

Devido a uma conceção tão enraizada nestas culturas, a presença de uma criança-irân está naturalmente associada a medo e sofrimento. São portanto necessários mecanismos que tornem estas práticas menos lesivas, como por exemplo a criação de centros de acolhimento destas crianças que se situem fora das respetivas comunidades.

A reconstituição da história do vidro a partir dos seus fragmentos

Nas arcas de frio da Casa dos Bicos, em Lisboa, foram encontrados fragmentos de peças de luxo em vidro dos séculos XVI e XVII. Estes fragmentos foram estudados no seu projeto de mestrado por Francisca Pulido Valente, atualmente investigadora na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, no âmbito da unidade de investigação VICARTE, dedicada ao estudo do vidro e da cerâmica nas artes.

Francisca Valente, no 24º PubhD de Lisboa
Francisca Valente, no 24º PubhD de Lisboa. (créditos: Carolina Figueira).

Além dos fragmentos, foram também encontradas ferramentas de fabrico, o que é algo singular, uma vez que a técnica de produção do tipo específico de decoração destas peças, a decoração millefiori, era secreta e apenas conhecida e praticada em Veneza, Itália.

Segundo a Francisca Valente, sabe-se que havia produção de vidro em Portugal, mas pouco se sabe sobre a realidade lisboeta anterior ao século XVIII devido à extensa destruição do terramoto de 1755. A Francisca está a estudar as quatro únicas coleções que são conhecidas em Portugal com vidro produzido com estas técnicas.

Ao ser conhecida a proveniência e a data rigorosa das peças, será possível atribuir-lhes um valor patrimonial e mesmo comercial.

As peças destas coleções tem características comuns entre si, mas diferentes das de peças com a mesma técnica decorativa encontradas noutros pontos da Europa e datadas da mesma época. Tal não é suficiente para hipotisar que sejam de fabrico nacional e não de importação, até porque, disse Francisca Valente, ainda não foi encontrado no nosso país nenhum forno de produção de vidro com vestígios deste tipo de peças.

É esta a questão que a Francisca está a tentar resolver. Ao ser conhecida a proveniência e a data rigorosa das peças, será possível atribuir-lhes um valor patrimonial e mesmo comercial.