18º PubhD de Lisboa: Antropologia, Arqueologia e Desenho

10 de maio, 19:30 -21:30, no Bar Irreal

No PubhD de maio vamos falar de um conjunto de festas com mais de 150 anos que se celebram numa povoação do Estado de Mato Grosso, no Brasil, da relação entre as estradas e o território na Lusitânia romana, e da forma como os artistas exploram a sua experiência pessoal através do desenho e do livro de artista.

O PubhD de Lisboa reúne três investigadores de doutoramento, ou pós-doutoramento, no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 20 minutos para perguntas.

Dicionário pessoal ilustrado.
Dicionário pessoal ilustrado, apresentado uma visão critica e criativa sobre a cidade das Caldas da Rainha. Créditos: Filipa Pontes.

Filipa Pontes está a investigar a relação entre o desenho e o livro de artista na perspetiva das formas como o artista explora a sua experiência pessoal e a relaciona com os significados culturais e sociais à sua volta.

Esta perspetiva é designada por autoetnografia, e a Filipa pretende discutir o desenho autoetnográfico como campo de produção artística e de investigação.

A Filipa Pontes está a fazer o seu doutoramento na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Pós-graduada em Ilustração Criativa em Barcelona, colabora com instituições relacionadas com arte, cultura e educação em vários países ao nível de projetos e formações.

"Festança", um conjunto de três festas em Vila Bela da Santíssima Trindade.
“Festança”, um conjunto de três festas em Vila Bela da Santíssima Trindade: Divino, São Benedito e Santíssima Trindade.

“Festança” é como uma comunidade de negros em Vila Bela da Santíssima Trindade, a oeste de Mato Grosso, chamam a um conjunto de festas católicas que realizam há mais de 150 anos. São festas que misturam tradições católicas e africanas, assim como tradições portuguesas.

Heloisa Afonso Ariano quer conhecer o projeto de sociedade que este conjunto de festas celebra, bem como os conflitos a que dão lugar. O resultado poderá ser um reconhecimento desta festa como património nacional.

A Heloisa está a fazer um estágio doutoral na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É antropóloga e professora na Universidade Federal de Mato Grosso, dedicando-se ao estudo de culturas populares, religiosidade e património.

Estrada romanaMaria José de Almeida procura compreender a ligação entre as estradas e o território na Lusitânia romana.

É investigadora de doutoramento na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi professora no 2º ciclo e técnica de arqueologia e museologia em câmaras municipais. Trabalha na área de sistemas de informação na Direção Geral do Livro, dos Arquivos e da Biblioteca.

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10º PubhD de Lisboa em revista

Debaixo de água ou rodeados por ela, foi assim a sessão de setembro.

O passado dos oceanos revelado pelos corais.

Lélia Matos no 10º PubhD de Lisboa
Lélia Matos no 10º PubhD de Lisboa. Créditos: Daniel Branco.

A dinâmica global da circulação das massas de água nos oceanos está ligada ao clima. Por esta razão, compreendê-la permitirá fazer previsões sobre a evolução futura de ambos.

Os padrões de circulação dessas massas de água variam ao longo de milhares de anos, conforme a Terra passa por épocas glaciares frias e épocas interglaciares quentes.

Por sua vez, estes padrões de circulação são diferentes a diferentes profundidades, disse-nos Lélia Matos1, investigadora em Paleocenografia – o estudo do passado dos oceanos.

A Lélia está a analisar os últimos 250 000 anos da história do mar no Estreito da Flórida, ao largo das Bahamas. Para tal recorre aos sedimentos e aos esqueletos de corais sub-fossilizados que se encontram entre 300 e 700 metros de profundidade.

Por exemplo, a determinação da idade dos esqueletos dos corais enterrados numa certa camada de sedimentos permite inferir, para a correspondente época do passado geológico, a dinâmica das massas de água nessa parte do oceano.

Uma galera ao largo da Austrália e cinco séculos de comércio.

Correio da Ásia
A investigação do Alexandre Monteiro foi tema da edição portuguesa de setembro da Nationgal Geographic.

Ao largo da costa oeste da Austrália, os corais recobrem os restos da galera portuguesa “Correio da Ásia”, que aqui naufragou há quase duzentos anos.

Foi a 25 de novembro de 1816 que os recifes de coral interromperam a sua viagem para a China ao longo da rota pelo sul do Índico, que encurta em seis meses a duração da viagem pela rota da Índia.

Contou-nos Alexandre Monteiro2 que esta galera continha 106 000 moedas de prata a bordo. Seriam trocadas na China por chá. Se a prata é um metal deficitário na China, o chá tinha um alto valor na Europa, onde era vendido com elevadas percentagens de lucro.

A arqueologia não é um terreno pacífico. Os governos utilizam-na como forma de marcação ou mesmo apropriação de territórios.

Só em 2004 uma análise magnética por avião permitiu, quase dois séculos depois, encontrar o paradeiro desta embarcação.

Restos históricos como este são património da humanidade, afirmou o Alexandre, mas a arqueologia não é um terreno pacífico. Os governos utilizam-na como forma de marcação ou mesmo apropriação de territórios. Por outro lado os caçadores de tesouros destroem o registo histórico, atraídos sobretudo por embarcações portuguesas e espanholas naufragadas entre 1500 e 1800.

Uma ilha nas correntes da política.

Sistemas eleitorais
Os sistemas eleitorais não são todos iguais.
Num sistema eleitoral por áreas, ou regiões, os “azuis” podem ficar em maioria, embora sejam em menor número.

Ainda na Oceânia, agora em Timor-Leste, a Carla Luís3 estuda a forma como se deve escolher o sistema eleitoral em países após um conflito e onde houve intervenção da ONU.

Nestes países há ainda armas em circulação, alguma violência latente e desconfiança nas instituições. São situações difíceis quando se pretende construir um Estado. É necessário ter também em conta fatores como a cultura, a literacia e a segurança.

Mesmo as instituições do “jogo” democrático ocidental não são universais, comentou a Carla. Diferentes países têm  diferentes regras para a sua democracia.

Mesmo as instituições do “jogo” democrático ocidental não são universais.

E essas regras podem mudar. A Carla alertou-nos para recentes mudanças no sistema político timorense, introduzidas pelos próprios partidos maioritários. Estas vão dificultar a constituição e manutenção de pequenos partidos políticos, favorecendo um sistema de grandes partidos.

Em outubro o PubhD de Lisboa celebra o primeiro aniversário e o BIBO Bar oferece o bolo. Será a 12 de outubro, com três novos temas que estão a ser investigados em Lisboa.

  1. A Lélia é investigadora de doutoramento no MARUM, Universidade de Bremen, na Alemanha, no Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em Lisboa, e no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro.
  2. O Alexandre é investigador de doutoramento no Instituto de Arqueologia e Paleociências (IAP) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
  3. A Carla Luís é investigadora de doutoramento no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra. Em 2012 trabalhou com a ONU em Timor.

 

10º PubhD de Lisboa

Arqueologia Subaquática, Evolução dos Oceanos, e Relações Internacionais

14 de Setembro, às 19:30, no BIBO Bar.

É dois terços debaixo de água que o PubhD de Lisboa começa a sua segunda temporada.

Três investigadores de doutoramento vão explicar a sua investigação num bar em troca de uma ou duas bebidas. As apresentações são ao nível de uma conversa de bar, acessíveis a qualquer pessoa.

Paleoceanografia, ou a história dos oceanos

Colónias de coral de águas profundas no Grande Banco das Bahamas.
Colónias de coral de águas profundas no Grande Banco das Bahamas.
As condições ambientais ficam registadas nos esqueletos dos corais de águas profundas.
Créditos: MARUM

Vamos até ao fundo do mar com Lélia Matos (Paleoceanografia) para ler no esqueleto dos corais a evolução da circulação oceânica no passado. O trabalho da Lélia permitirá entender as alterações atuais, nos oceanos e no clima, e antever a sua evolução futura.

A Lélia é investigadora de doutoramento no MARUM, Universidade de Bremen, na Alemanha, no Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em Lisboa, e no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro.

É licenciada em Biologia Animal e mestre em Biologia e Gestão de Recursos Marinhos com uma tese sobre a ecologia de tartarugas marinhas.

A galera Correio da Ásia e o comércio da China

Galera Correio da Ásia
Galera Correio da Ásia.
Créditos: Alexandre Monteiro/IAP-FCSH/UNL

Não regressamos à superfície sem visitar um navio português afundado ao largo da Austrália em 1816. A galera Correio da Ásia transportava a bordo 106 mil moedas em prata.

Segundo o Alexandre Monteiro, o estudo desta galera poderá informar-nos sobre as relações comerciais atuais entre Portugal e a China.

O Alexandre é investigador de doutoramento no Instituto de Arqueologia e Paleociências (IAP) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Relações Internacionais e o caso de Timor-Leste

"A Cidade Eterna", Carla Luís
“A Cidade Eterna”. Créditos: Carla Luís

E já que estamos ali tão perto, vamos até Timor-Leste, onde a Carla Luís nos irá falar sobre o impacto dos sistemas eleitorais na consolidação da paz, especialmente após uma intervenção da ONU.

A investigação da Carla permitirá, em intervenções da ONU pós-conflito, avaliar os factores a ter em conta aquando da escolha do sistema eleitoral e as respectivas consequências na consolidação da paz.

A Carla Luís é investigadora de doutoramento no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra. Em 2012 trabalhou com a ONU em Timor. É licenciada em Direito e mestre em Direitos Humanos.

O 10º PubhD de Lisboa será no BIBO Bar, no próximo dia 14 de Setembro, às 19h30. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 20 minutos para perguntas.

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