26º PubhD de Lisboa

Alterações Climáticas, e Neurociências Cognitivas

14 de março, 19h30 – 21h00, no Bar Irreal

O que acontece no cérebro dos humanos quando ocorre um acidente vascular cerebral, e o que acontece no cérebro dos ‘peixes limpadores’ como consequência das alterações climáticas, serão os temas em conversa na sessão de março do PubhD de Lisboa.

O PubhD de Lisboa reúne investigadores de doutoramento, ou pós-doutoramento, no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 25 minutos para perguntas.

Os oradores:

Formas de estudar o cérebro após uma lesão.
Formas de estudar o cérebro após uma lesão.
Créditos: Inês Tello Rodrigues.

Inês Tello Rodrigues (Neurociências Cognitivas) quer perceber melhor o que acontece no cérebro quando ocorre um acidente vascular cerebral (AVC).

Este trabalho tem como objetivo aprofundar aquilo que se sabe sobre os nossos mecanismos de adaptação a uma lesão no cérebro e, com base nisso, desenvolver técnicas que permitam influenciar e aproveitar esses mecanismos.

A Inês desenvolveu este trabalho no seu doutoramento no Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa, e está a programar um projeto de pós-doutoramento na mesma área.

É Terapeuta da Fala há 14 anos e durante a sua prática clínica especializou-se em pessoas com alterações da comunicação provocadas por lesões cerebrais.

A Inês Tello Rodrigues é doutorada em Neurociências Cognitivas e é apaixonada pela plasticidade com que o cérebro se consegue ajustar e adaptar.

A interacção mutualistica de limpeza entre os peixes limpadores Labroides dimidiatus e os seus clientes.
A interacção mutualística de limpeza entre os peixes limpadores “Labroides dimidiatus” e os seus ‘clientes’.
Créditos: José Ricardo Paula.

José Ricardo Paula (Alterações climáticas / Biologia Marinha) pretende conhecer uma das implicações das alterações climáticas: o seu efeito no comportamento dos ‘peixes limpadores’, que vivem nos recifes de coral (os locais no mundo de maior biodiversidade marinha), e dos quais dependem indiretamente os stocks de pesca.

Para isso o José Ricardo procura compreender como é que a acidificação e o aquecimento da água dos oceanos, causados pelo aumento de dióxido de carbono na atmosfera, afectam os comportamentos complexos de cooperação entre os peixes limpadores, nomeadamente os mecanismos cerebrais subjacentes a esses comportamentos.

José Ricardo Paula
José Ricardo Paula

José Ricardo Paula é investigador de doutoramento no Laboratório Marítimo da Guia (MARE) da Universidade de Lisboa e no Lizard Island Research Station na Austrália. É mestre em Biologia da Conservação, apaixonado por processos de cooperação, e adora levar o laboratório para debaixo de água.

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21º PubhD de Lisboa em revista

Preservar a ecologia de São Tomé e Príncipe, e arrefecer com água em ebulição.

O resumo há muito aguardado da sessão de outubro, em que percebemos que não é só com as tartarugas que os biólogos se preocupam quando as tentam preservar em São Tomé e Príncipe, e em que descobrimos que há várias maneiras de ferver água e que algumas delas servem para arrefecer.

Além disso celebrámos com um quiz o 2º aniversário do PubhD de Lisboa, demonstrando que afinal sempre estamos a aprender umas coisas.

Preservar a ecologia de São Tomé e Príncipe

Tartaruga marinha.

No arquipélago de São Tomé e Príncipe, as tartarugas foram durante muito tempo caçadas para a alimentação e pelo valor decorativo das suas escamas. Como consequência, deu-se uma redução acentuada das populações das três espécies de tartaruga que utilizam este arquipélago para se alimentar, acasalar e desovar.

Segundo Joana Hancock, investigadora no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c), a redução destas populações afeta o ecossistema local de várias formas. Ao serem predadoras de alforrecas, uma espécie que por sua vez é predadora de larvas de peixe, as tartarugas ajudam a manter a quantidade de peixe disponível no mar de São Tomé e Príncipe. As regiões costeiras devem também a sua preservação aos restos orgânicos deixados pelas tartarugas e que nutrem a vegetação destas áreas.

No âmbito do seu doutoramento, a Joana está a estudar o estado de conservação das tartarugas neste arquipélago, caracterizando a forma como se reproduzem e se alimentam as três principais espécies. Neste contexto está também a analisar a sua distribuição geográfica e ligações que possam existir com outras populações das mesmas espécies no oceano Atlântico.

Ao serem predadoras de alforrecas, uma espécie que por sua vez é predadora de larvas de peixe, as tartarugas ajudam a manter a quantidade de peixe disponível no mar de São Tomé e Príncipe.

Embora a carne de tartaruga tenha feito parte da alimentação da população deste arquipélago, existem alternativas neste território e neste mar tão ricos. Através da legislação e da sensibilização, hoje a caça à tartaruga é bastante menor e a população local, em consequência do trabalho de associações de conservação, envolveu-se também nesta causa.

A Joana orgulha-se, por exemplo, de que no seu projeto de conservação participem ex-caçadores de tartaruga, que ajudam a apanhar estes animais nas rotinas de monitorização das espécies.

Arrefecer equipamento eletrónico com água em ebulição.

Numa panela com água em ebulição, formam-se bolhas devido às imperfeições na superfície do fundo da panela. São estas bolhas que, ao ascenderem e arrefecerem, permitem a circulação do calor, em vez de este permanecer concentrado junto à zona de contacto da panela com a fonte de calor.

É este princípio que poderá permitir o arrefecimento de aparelhos que naturalmente tendem a aquecer, como por exemplo os componentes eletrónicos.

Se pudermos “esculpir” as “imperfeições” na zona de contacto com a fonte de calor, poderemos otimizar a forma como o líquido, em ebulição, dissipa o calor gerado pelo componente eletrónico e o arrefece.

Segundo Emanuele Teodori, investigador no Instituto Superior Técnico, se pudermos “esculpir” as “imperfeições” na zona de contacto com a fonte de calor, poderemos otimizar a forma como o líquido, em ebulição, dissipa o calor gerado pelo componente eletrónico (por exemplo, um processador) e o arrefece. Os modos mais eficientes de ebulição da água serão produzidos por micro-cavidades na superfície que terão geometrias específicas que estão a ser estudadas pelo Emanuele.

O processo de ebulição, porém, é um fenómeno muito complexo. Para o otimizar, são necessários muitos ensaios e nem todos os fatores envolvidos estão já totalmente compreendidos.

No futuro, este sistema de arrefecimento poderá ser aplicado noutros equipamentos, como por exemplo nas baterias dos carros elétricos, que são mais eficientes a baixa temperatura.


A próxima sessão do PubhD de Lisboa será a 13 de dezembro, no Bar Irreal.
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21º PubhD de Lisboa : 2º aniversário

Biologia da Conservação, Engenharia Mecânica, e Quiz de Aniversário

11 de outubro, 19h30 – 21h30, no Bar Irreal

Na sessão do 2º aniversário do PubhD de Lisboa vamos falar sobre a conservação das tartarugas marinhas de São Tomé e Príncipe, e de como arrefecer componentes eletrónicos conhecendo melhor as propriedades da ebulição.

Vamos ainda falar de duas dezenas de outros fascinantes temas que passaram neste último ano pelo PubhD de Lisboa participando em grupos num quiz de aniversário.

O PubhD de Lisboa reúne investigadores de doutoramento, ou pós-doutoramento, no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 20 minutos para perguntas.

Tartaruga marinha.
Tartaruga marinha. Via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Green_turtle_swimming_over_coral_reefs_in_Kona.jpg

Joana Hancock (Biologia da Conservação) quer determinar o estado de conservação das tartarugas marinhas de São Tomé e Príncipe. Através deste estudo pretende conhecer o impacto da sobre-exploração destes animais a nível genético e demográfico, assim como desenvolver medidas de conservação adaptadas.

A Joana é investigadora de doutoramento no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Há mais de 15 anos que trabalha sobre tartarugas marinhas, lidando com grupos comunitários, ONGs, políticos, caçadores e vendedores de carne de tartaruga.

Ebulição
Créditos: A. Sathyabhama e T. P. Ashok Babu, via doi:10.1115/1.4004258

Emanuele Teodori (Engenharia Mecânica) investiga as propriedades da ebulição de líquidos sobre certas superfícies, como por exemplo, superfícies absorventes. Este estudo terá aplicações no arrefecimento de componentes eletrónicos.

O Emanuele é investigador de doutoramento no Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa. Gosta de falar em público e de trabalhar em bares.

 


Nesta sessão de aniversário terminaremos com um quiz sobre os temas falados neste último ano. Aproveite a sessão para conhecer pessoas novas e participar em grupo, descobrindo temas fascinantes que estão atualmente a ser investigados no meio académico.

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6º PubhD de Lisboa: Biologia, História da Ciência, e Química

"Almas Delirantes", de Luís Cebola
“Almas Delirantes”, de Luís Cebola (Comercial Gráfica, Lisboa, 1925)

Aproxima-se mais uma sessão do PubhD de Lisboa, sempre na segunda quarta-feira do mês.

No dia 9 de Março iremos falar sobre o impacto das alterações globais na biodiversidade, sobre a biografia de um psiquiatra português da primeira metade do século XX, e sobre o tratamento do cancro.

Flávio Oliveira, que está a fazer o seu doutoramento na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, procura compreender a forma como as alterações ambientais globais afectam a fisiologia e o comportamento dos musaranhos.
A abundância e a distribuição das espécies de musaranhos são indicadores de alterações na biodiversidade local em consequência das alterações globais.

Denise Pereira escreveu a biografia do psiquiatra Luís Cebola (1876-1967). Neste âmbito, contextualizou os tratamentos psiquiátricos utilizados na época, e analisou a perspectiva médica e social da doença mental.
A Denise concluiu recentemente a sua investigação na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e na Universidade de Cambridge.

No Instituto Superior Técnico, Diana Ferreira está a desenvolver e a caracterizar sistemas de condução de fármacos até ao local no corpo humano onde estes devem actuar. Estes sistemas serão aplicados na terapia do cancro, optimizando o tratamento e reduzindo os efeitos secundários.

No BIBO Bar, no próximo dia 9 de Março, às 19h30, venha ouvir e conversar sobre três temas que estão a ser investigados em Lisboa. Mais informações na página do próximo evento.

Agradecemos que confirme a sua presença na página do evento no Facebook:
https://www.facebook.com/events/121629801561582/

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O 4º PubhD de Lisboa em revista

4º PubhD de LisboaMais do que a simples curiosidade, foram três necessidades concretas, objecto de investigação em áreas totalmente distintas, que foram tema de conversa ao fim da tarde no PubhD de Janeiro: a confiança nas entidades reguladoras, a segurança informática na próxima geração de computadores, e a cura de uma doença genética designada por Atrofia Muscular Espinhal.

Na sequência da liberalização dos mercados, as entidades reguladoras, como o Banco de Portugal, a ERSE para o sector da energia, ou a ANACOM para o sector das comunicações, são organismos ao serviço dos cidadãos e dos consumidores e que se pretendem independentes, tanto dos interesses económicos como dos interesses políticos.

Susana Coroado, investigadora no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, procura identificar entidades reguladoras que estejam em risco de perder essa independência. Os membros que constituem o conselho de administração, ou como diferentes actores estão representados no conselho consultivo, ou ainda a forma como a entidade dá conta das suas actividades e dos contactos que tem com as empresas que regula, são alguns dos meios pelos quais a Susana está a obter dados para a sua análise.

Se a internet acelera e facilita o trabalho da Susana e contribui para a transparência das instituições, a futura geração de computadores pode levar essa transparência ao ponto de anular toda a privacidade online.

A rapidez de cálculo dos futuros computadores quânticos tornará obsoletos os actuais métodos de proteção da informação transferida via internet, os mesmos métodos que nos permitem fazer pagamentos online com segurança. Ricardo Loura, investigador no Instituto Superior Técnico, está a aplicar conhecimentos de matemática e física quântica no desenvolvimento de novos métodos de encriptação adequados a este novo modelo de computação.

‘Desencriptar’ o código genético é talvez uma das árduas tarefas do Hugo Santos. A forma como a ausência de uma instrução genética específica conduz a uma doença está longe de ser linear e envolve provavelmente a interacção de centenas de genes.

O Hugo procura estabelecer a ponte entre a ausência de um gene em crianças com Atrofia Muscular Espinhal e o baixo desenvolvimento dos neurónios motores que é característico desta doença. A futura terapia poderá passar por inverter todo ou parte desse processo de causa-efeito.

A Atrofia Muscular Espinhal afecta uma em cada seis mil crianças e em geral causa a morte antes de atingirem os quinze anos de idade. O Hugo Santos desenvolve o seu trabalho entre o instituto BioISI, da Universidade de Lisboa, o Okinawa Institute of Science and Technology e a Harvard Medical School.

A 10 de Fevereiro teremos novo encontro marcado no BIBO Bar para o 5º PubhD de Lisboa com uma conversa sobre Ciências da Educação, Estudos Literários e Neurociências. Até lá!