44º “WebhD” de Lisboa em revista: 1ª parte

As relações entre a política e a ciência na comunicação de ciência, este foi um dos temas em conversa na sessão do 44º “WebhD” de Lisboa.

As relações entre a política e a ciência na comunicação de ciência

Numa época especialmente desafiante para a sociedade pela pandemia da Covid-19, a comunicação de ciência tem ganho espaço na atenção mediática. O Adalberto Fernandes frequenta o doutoramento no Centro de Filosofia das Ciências da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do CNC-UC e estuda precisamente a comunicação de ciência.

Está particularmente interessado em perceber a relação entre a comunicação de ciência e a política.

Neste momento de pandemia, a comunicação de ciência tem um papel evidente em reforçar a confiança nas instituições.”

Ciência e Politica unidas para a Comunicação.
Créditos: JBZE Delegation

O Adalberto refere que tende a dar-se mais credibilidade a informação científica transmitida por Universidades como Harvard e menos credibilidade a informação científica que seja transmitida pela indústria publicitária.

O seu projeto de doutoramento trata a forma como a comunicação de ciência lida e gera relações de poder. Exemplifica os diferentes poderes em jogo referindo um cientista que apresenta em público a sua evidência científica. Contudo, a maioria da população talvez não tenha os meios (técnicos ou acesso laboratorial) para confirmar ou não essas evidências. 

Isso significa que, na própria comunicação de ciência, existem à partida diferentes poderes e diferentes saberes, uma vez que algumas pessoas terão acesso ao laboratório ou a formação avançada, e outras não. Desta forma, a existência da comunicação de ciência é, ela própria, justificada numa desigualdade de poderes e saberes existente entre cientistas e não cientistas. 

Será que a ciência e a democracia são efetivamente compatíveis? O Adalberto espera compreender se uma ciência forte, que só pode ser desenvolvida através de um grande conjunto de recursos com um pequeno número de pessoas, pode ser compatível com uma democracia também ela forte, que não pode excluir indivíduos com base nos seus recursos, conhecimentos ou capacidades. 

O seu objetivo é, mais do que apresentar uma solução para esta grande questão, pensar a comunicação de ciência pelo seu papel não só de comunicar o próprio conhecimento científico, como de tornar claras e discutir as relações de poder presentes no próprio ato de comunicar ciência.

44º “WebhD” de Lisboa: Comunicação de Ciência e Medicina

Quarta-feira, 13 de maio de 2020, 19:30 – 21:00, no canal do PuhbD de Lisboa no YouTube.

As relações entre a política e a ciência na comunicação de ciência, e as diferenças na pigmentação da pele serão os dois temas em conversa na sessão do 44º PubhD de Lisboa, em versão online.

Face à situação atual de contenção da propagação do novo vírus associado à doença Covid-19, e até nos ser possível regressar ao bar, as sessões PubhD de Lisboa vão realizar-se online. 

PubhD de Lisboa reúne investigadores de doutoramento numa conversa informal, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 25 minutos para perguntas.

Se quiser estar sempre a par dos próximos eventos do PubhD de Lisboasubscreva a nossa mailing list (apenas um e-mail por mês). Siga-nos também no Facebook.

Os oradores

AdalbertoFernandes
Ciência e Política unidas para a Comunicação. Créditos: JBZE Delegation

Adalberto Fernandes (Comunicação de Ciência) procura compreender a relação entre temas políticos e científicos, numa atitude assumida de que nem sempre as fronteiras são nítidas entre política e ciência.

O seu objetivo é o de criar práticas em comunicação da ciência que questionem as diferenças e as semelhanças entre política e ciência.

O Adalberto desenvolve o seu doutoramento no Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa e no Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra. É mestre em Comunicação de Ciência e em Bioética, e tem já longa experiência como comunicador de ciência em Lisboa e em Coimbra.

Pigmentação da pele alterada pela doença autoimune vitiligo.
Pigmentação da pele alterada pela doença autoimune vitiligo.
Créditos: Nadine Mot Mitchell via Flickr

Liliana Lopes (Medicina) tem como objetivo compreender porque temos cores de pele diferentes. Para isso desenvolve na sua investigação técnicas que permitam ajustar a cor da pele, no caso de doenças em que a pigmentação se alterou.

A Liliana é estudante de doutoramento no Centro de Investigação em Doenças Crónicas (CEDOC) da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. O seu percurso académico começou no Algarve, mas a sua origem é do centro de Portugal. Para além de se dedicar à ciência, gosta de desportos coletivos e de jogos online.

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Pode assistir à sessão online aqui, mas se quiser colocar perguntas através da janela de chat, aceda ao nosso canal no YouTube.

35º PubhD de Lisboa Comunicação de Ciência, e Fusão Nuclear

Quarta-feira, 10 de abril de 2019, 19:30 – 21:00, no Má Língua.

Água como combustível na produção de energia limpa e segura através da fusão nuclear, e uma nova comunidade profissional que estabelece laços entre a ciência e a sociedade, serão os temas em conversa na sessão de abril do PubhD de Lisboa.

ATENÇÃO: O PubhD de Lisboa mudou de casa. As sessões são agora no Má Língua, na Graça.

O PubhD de Lisboa reúne investigadores de doutoramento e pós-doutoramento no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 25 minutos para perguntas.

Os oradores

Interior do maior dispositivo de pesquisa experimental de Fusão Nuclear, o JET (Joint European Torus), situado em Culham, no Reino Unido.
Interior do maior dispositivo de pesquisa experimental de Fusão Nuclear, o JET (Joint European Torus), situado em Culham, no Reino Unido. Durante a operação do JET, este torna-se o local mais quente do sistema solar. Créditos: EUROfusion (https://www.euro-fusion.org/)

Luís Guimarãis (Fusão Nuclear) está a trabalhar no desenvolvimento de uma fonte de produção de eletricidade que seja barata e que não produza gases causadores de efeito de estufa.

O combustível será a água e o processo será a fusão nuclear, um processo seguro e limpo de produção de energia, semelhante ao que ocorre no interior do Sol, e que é objeto de um grande esforço mundial para que se torne realidade.

O Luís é investigador de pós-doutoramento no Instituto Superior Técnico e no Max-Planck Institut fur Plasmaphysik. Com formação em física e engenharia, o seu principal interesse de investigação é o diagnóstico e análise de dados de fusão nuclear.

Feira de Ciência em Washington.
Feira de Ciência em Washington, Laboratório Nacional de Oak Ridge. Créditos: Genevieve Martin/ORNL

Manuel Leite Valença (Comunicação de ciência) está a estudar os profissionais que trabalham na área da comunicação e que estão ligados a instituições de investigação ou divulgação científica em Portugal.

Esta é uma comunidade profissional emergente no nosso país, por conseguinte ainda pouco conhecida, mas que assume uma importância crescente na ligação entre a ciência e a sociedade.

O Manuel é investigador de doutoramento no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. É ele próprio comunicador de ciência, com experiência tanto em centros de ciência como em instituições universitárias.

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