21º PubhD de Lisboa em revista

Preservar a ecologia de São Tomé e Príncipe, e arrefecer com água em ebulição.

O resumo há muito aguardado da sessão de outubro, em que percebemos que não é só com as tartarugas que os biólogos se preocupam quando as tentam preservar em São Tomé e Príncipe, e em que descobrimos que há várias maneiras de ferver água e que algumas delas servem para arrefecer.

Além disso celebrámos com um quiz o 2º aniversário do PubhD de Lisboa, demonstrando que afinal sempre estamos a aprender umas coisas.

Preservar a ecologia de São Tomé e Príncipe

Tartaruga marinha.

No arquipélago de São Tomé e Príncipe, as tartarugas foram durante muito tempo caçadas para a alimentação e pelo valor decorativo das suas escamas. Como consequência, deu-se uma redução acentuada das populações das três espécies de tartaruga que utilizam este arquipélago para se alimentar, acasalar e desovar.

Segundo Joana Hancock, investigadora no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c), a redução destas populações afeta o ecossistema local de várias formas. Ao serem predadoras de alforrecas, uma espécie que por sua vez é predadora de larvas de peixe, as tartarugas ajudam a manter a quantidade de peixe disponível no mar de São Tomé e Príncipe. As regiões costeiras devem também a sua preservação aos restos orgânicos deixados pelas tartarugas e que nutrem a vegetação destas áreas.

No âmbito do seu doutoramento, a Joana está a estudar o estado de conservação das tartarugas neste arquipélago, caracterizando a forma como se reproduzem e se alimentam as três principais espécies. Neste contexto está também a analisar a sua distribuição geográfica e ligações que possam existir com outras populações das mesmas espécies no oceano Atlântico.

Ao serem predadoras de alforrecas, uma espécie que por sua vez é predadora de larvas de peixe, as tartarugas ajudam a manter a quantidade de peixe disponível no mar de São Tomé e Príncipe.

Embora a carne de tartaruga tenha feito parte da alimentação da população deste arquipélago, existem alternativas neste território e neste mar tão ricos. Através da legislação e da sensibilização, hoje a caça à tartaruga é bastante menor e a população local, em consequência do trabalho de associações de conservação, envolveu-se também nesta causa.

A Joana orgulha-se, por exemplo, de que no seu projeto de conservação participem ex-caçadores de tartaruga, que ajudam a apanhar estes animais nas rotinas de monitorização das espécies.

Arrefecer equipamento eletrónico com água em ebulição.

Numa panela com água em ebulição, formam-se bolhas devido às imperfeições na superfície do fundo da panela. São estas bolhas que, ao ascenderem e arrefecerem, permitem a circulação do calor, em vez de este permanecer concentrado junto à zona de contacto da panela com a fonte de calor.

É este princípio que poderá permitir o arrefecimento de aparelhos que naturalmente tendem a aquecer, como por exemplo os componentes eletrónicos.

Se pudermos “esculpir” as “imperfeições” na zona de contacto com a fonte de calor, poderemos otimizar a forma como o líquido, em ebulição, dissipa o calor gerado pelo componente eletrónico e o arrefece.

Segundo Emanuele Teodori, investigador no Instituto Superior Técnico, se pudermos “esculpir” as “imperfeições” na zona de contacto com a fonte de calor, poderemos otimizar a forma como o líquido, em ebulição, dissipa o calor gerado pelo componente eletrónico (por exemplo, um processador) e o arrefece. Os modos mais eficientes de ebulição da água serão produzidos por micro-cavidades na superfície que terão geometrias específicas que estão a ser estudadas pelo Emanuele.

O processo de ebulição, porém, é um fenómeno muito complexo. Para o otimizar, são necessários muitos ensaios e nem todos os fatores envolvidos estão já totalmente compreendidos.

No futuro, este sistema de arrefecimento poderá ser aplicado noutros equipamentos, como por exemplo nas baterias dos carros elétricos, que são mais eficientes a baixa temperatura.


A próxima sessão do PubhD de Lisboa será a 13 de dezembro, no Bar Irreal.
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21º PubhD de Lisboa : 2º aniversário

Biologia da Conservação, Engenharia Mecânica, e Quiz de Aniversário

11 de outubro, 19h30 – 21h30, no Bar Irreal

Na sessão do 2º aniversário do PubhD de Lisboa vamos falar sobre a conservação das tartarugas marinhas de São Tomé e Príncipe, e de como arrefecer componentes eletrónicos conhecendo melhor as propriedades da ebulição.

Vamos ainda falar de duas dezenas de outros fascinantes temas que passaram neste último ano pelo PubhD de Lisboa participando em grupos num quiz de aniversário.

O PubhD de Lisboa reúne investigadores de doutoramento, ou pós-doutoramento, no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 20 minutos para perguntas.

Tartaruga marinha.
Tartaruga marinha. Via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Green_turtle_swimming_over_coral_reefs_in_Kona.jpg

Joana Hancock (Biologia da Conservação) quer determinar o estado de conservação das tartarugas marinhas de São Tomé e Príncipe. Através deste estudo pretende conhecer o impacto da sobre-exploração destes animais a nível genético e demográfico, assim como desenvolver medidas de conservação adaptadas.

A Joana é investigadora de doutoramento no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Há mais de 15 anos que trabalha sobre tartarugas marinhas, lidando com grupos comunitários, ONGs, políticos, caçadores e vendedores de carne de tartaruga.

Ebulição
Créditos: A. Sathyabhama e T. P. Ashok Babu, via doi:10.1115/1.4004258

Emanuele Teodori (Engenharia Mecânica) investiga as propriedades da ebulição de líquidos sobre certas superfícies, como por exemplo, superfícies absorventes. Este estudo terá aplicações no arrefecimento de componentes eletrónicos.

O Emanuele é investigador de doutoramento no Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa. Gosta de falar em público e de trabalhar em bares.

 


Nesta sessão de aniversário terminaremos com um quiz sobre os temas falados neste último ano. Aproveite a sessão para conhecer pessoas novas e participar em grupo, descobrindo temas fascinantes que estão atualmente a ser investigados no meio académico.

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