40º PubhD de Lisboa: Especial “Infinitamente Pequeno”

Quarta-feira, 4 de dezembro de 2019, 19:30 – 21:00, no Má Língua.

Converter computadores em cientistas, e procurar nos aceleradores de partículas sinais de Física ainda desconhecida, serão os dois temas em conversa na sessão especial dedicada ao infinitamente pequeno.

O PubhD de Lisboa de dezembro decorre como evento de comunicação de ciência integrado no programa de um workshop internacional na área da Física de Partículas, organizado pelo Laboratório de Instrumentação e Partículas (LIP).

O PubhD de Lisboa reúne investigadores de doutoramento no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 25 minutos para perguntas.

Os oradores

O detetor CMS.
O detetor CMS, no grande colisionador de hadrões (Large Hadron Collider-LHC), no Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN). Créditos: Giles Strong

Giles Strong (Informática aplicada à Física de Partículas) converte computadores em cientistas, para conseguirmos compreender a avalanche de informação que recolhemos sobre o infinitamente pequeno e daí retirarmos conhecimento sobre as interações físicas fundamentais no Universo.

O Giles desenvolve ferramentas de análise de dados que permitem conhecer o Universo em maior detalhe, e podem poupar muitos anos de trabalho (assim como milhões de euros). Estas ferramentas permitem também planear as experiências futuras.

Nota: esta apresentação e a sessão de perguntas-e-respostas serão feitas em inglês.

O Giles é investigador de doutoramento no Laboratório de Instrumentação e Partículas-Instituto Superior Técnico (LIP/IST) e investigador no CMS, um detetor de partículas no Centro Europeu de Pesquisa Nuclear-CERN. Através do seu blogue, publica alguns textos de comunicação do seu trabalho ao público geral.

Desintegração da partícula que explica porque as outras partículas têm massa - o bosão de Higgs.
Imagem obtida na experiência ATLAS, no Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN), em que é representado o processo de desintegração da partícula que explica porque as outras partículas têm massa – o bosão de Higgs.

Ricardo Barrué (Física de Partículas) pretende utilizar a partícula que explica porque as outras partículas têm massa – o chamado bosão de Higgs – para detetar sinais minúsculos e ainda desconhecidos que nos levem mais perto de compreender a origem do Universo e como ele se tornou naquilo que é hoje.

O Ricardo é estudante de doutoramento no Laboratório de Instrumentação e Partículas (LIP). Para além de um apaixonado pela física e pelo cérebro humano, descreve-se como um curioso de ginja e amante de tudo o que é estranho e interessante.

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14º PubhD de Lisboa em revista

A tecnologia percorreu os três temas do PubhD de Lisboa de janeiro.

Comparar imagens para encontrar respostas

Imagem extraída do website Nova Medical Search
Imagem extraída do website Nova Medical Search,
https://medical.novasearch.org/general/example/3

Os médicos recorrem a vários auxiliares para fazerem um diagnóstico. Um deles consiste em pesquisar nos artigos científicos por casos semelhantes, executando pesquisas de texto, como a que fazemos nos motores de busca na internet.

No entanto, existe informação nas imagens médicas que acompanham os artigos científicos e que está ausente do conteúdo textual. Se o médico puder comparar imagens de exames clínicos do seu paciente com imagens de casos semelhantes, poderá encontrar artigos científicos que não lhe seriam listados numa pesquisa apenas pelo texto.

É nesta área que está a trabalhar o André Mourão, permitindo que um médico faça o “upload”, ou carregue uma imagem para um sistema que, de forma automática, a irá analisar e comparar com milhares, ou mesmo milhões, de outras imagens nas bases de dados da literatura médica em acesso aberto.

Investigador em informática no laboratório NOVA-LINCS da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, o André trabalha com o reconhecimento automático de imagens, a otimização do sistema para pesquisas em larga escala, e a integração da informação textual e visual.

Se o médico puder comparar imagens de exames clínicos, poderá encontrar artigos científicos que não lhe seriam listados numa pesquisa apenas pelo texto.

O protótipo deste sistema está disponível num endereço público, mas o André recomenda que não seja usado com imagens médicas pessoais, sendo uma futura ferramenta de apoio à atividade profissional em medicina. O endereço é http://medical.novasearch.org

A arte e a tecnologia de mãos dadas, ou nem por isso

Robotic Action Painter
Obra criada por RAP – Robotic Action Painter.
Créditos: Leonel Moura. Imagem extraída do website http://obviousmag.org

“Toda a arte é tecnológica”, disse José Oliveira, que investigou o tema do código, genético ou informático, na arte portuguesa da segunda metade do século XX. Recém-doutorado em História da Arte pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, o José estudou o trabalho de artistas como Marta de Menezes e Leonel Moura, e sondou as repercussões desse trabalho junto dos cientistas com quem contactaram.

Segundo o José Oliveira, desde a década de 60 que os artistas que trabalham meios de expressão tecnológicos, ou inspirados na ciência, utilizam processos de disseminação paralelos às instituições tradicionais do meio artístico. São processos que visam mostrar e legitimar a sua arte ‘proscrita’, tal como o fizeram os seus antecessores impressionistas no século XIX.

José Oliveira apercebeu-se que as residências artísticas não têm real impacto sobre o fazer da ciência, e que são raros os casos de cientistas que fazem residências em ateliês ou escolas de artes.

Em pleno século XXI, porém, está quase generalizada a ideia de que os artistas, por pensarem ‘fora da caixa’, podem gerar novas ideias e promover a inovação científica e tecnológica. Existe um interesse político pelo cruzamento entre a arte e as ciências, e são muitos os apoios para os artistas que queiram trabalhar nesta fronteira, nomeadamente programas de residências artísticas em centros de investigação.

Nos seus contactos com cientistas, o José Oliveira apercebeu-se que as residências artísticas não têm real impacto sobre o fazer da ciência. Por outro lado, são raros os casos de cientistas que fazem residências em ateliês ou escolas de artes.

Serve a arte, como disse José Oliveira, para “questionar e fazer-nos pensar sobre o que nos rodeia”, incluindo o fazer da ciência e a tecnologia que permeia a sociedade? Ou poderá, em muitos casos, como uma pessoa na assistência sugeriu, estar a ser aproveitada como forma de promoção da própria ciência e da tecnologia em que se inspira?

Produzir medicamentos mais baratos e acessíveis

Rita Santos
Rita Santos, do ITQB, no PubhD de Lisboa

A insulina, uma substância que é administrada a pessoas com diabetes, é um exemplo de um fármaco que começou por ser produzido artificialmente com recurso a colónias de bactérias. Como as substâncias produzidas por bactérias não são exatamente iguais às produzidas pelo corpo humano, podem ocorrer reações alérgicas, o que motivou o desenvolvimento da produção usando células de animais, mais semelhantes às do nosso organismo.

Porém, as células animais são muito sensíveis ao contacto humano no ambiente de produção (por exemplo, à presença de um vírus da gripe), pelo que obrigam a custos significativos ao nível do equipamento.

É fácil e barato produzir fármacos com células de plantas modificadas geneticamente. Uma das vantagens será tornar mais acessíveis certos medicamentos em países em desenvolvimento.

Rita Santos trabalha com uma solução recente, que soluciona ambos os problemas anteriores: a utilização de células de plantas. A Rita é investigadora no Instituto de Tecnologia Química e Biológica, da Universidade Nova de Lisboa e trabalha com culturas de células de plantas modificadas geneticamente para produzirem fármacos.

A introdução no ADN das células de plantas do código genético para produzir, por exemplo, proteínas humanas, como a insulina, é um processo fácil e barato. Uma das vantagens será tornar mais acessíveis certos medicamentos em países em desenvolvimento.

Será ainda necessário descobrir formas de aumentar a produtividade, até que as empresas farmacêuticas decidam investir mais nesta tecnologia. Por outro lado, segundo a Rita, a legislação europeia sobre organismos geneticamente modificados é excessivamente restritiva, o que limita a investigação usando culturas de plantas ao ar livre, processo de produção que teria várias vantagens.


A próxima sessão do PubhD de Lisboa será a 8 de fevereiro, no Bar Irreal. Psicologia Social e Oceanografia são dois temas já confirmados.
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14º PubhD de Lisboa: Biotecnologia, História da Arte, e Informática

11 de janeiro, às 19:30, no Bar Irreal.

 

O PubhD de Lisboa reúne três investigadores de doutoramento, no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas.

Portal de pesquisa médicaAndré Mourão (Informática) está a melhorar ferramentas de apoio ao diagnóstico médico através da utilização de imagens de exames clínicos.

Através da pesquisa por imagens, será possível aos médicos encontrar informação para o diagnóstico e que não está disponível através da tradicional pesquisa por texto.
Mais informação em https://medical.novasearch.org

O André é investigador no laboratório NOVA-LINCS, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Nesta mesma faculdade concluiu o mestrado em Engenharia Informática e realiza investigação há 6 anos. Nos tempos livres, faz da corrida a sua meditação e tempo em que tem as melhores ideias.


Arte high tech em questão
Postal-convite para a exposição “Arte High Tech em Questão” organizada por E. M. de Melo e Castro na Galeria Diferença em Julho de 1988.

José Oliveira (História da Arte) investiga a relação entre a arte e a tecnologia na segunda metade do século XX, incluindo as dificuldades de legitimação das artes tecnológicas pelas instituições do meio artístico.

O José concluiu recentemente o seu doutoramento na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

É licenciado em Engenharia Electrotécnica e atualmente é membro do Instituto de História da Arte, sendo investigador e professor de Fotografia e Cultura Visual.


Rita Santos (Biotecnologia) procura uma forma de otimizar a produção de fármacos em plantas.
A utilização de plantas, sendo uma forma barata de produzir biofármacos, terá impacto no preço dos medicamentos e na sua disponibilidade.

A Rita é investigadora de doutoramento no Plant Cell Biology Lab do Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa. É mestre em biotecnologia pela mesma universidade.

O 14º PubhD de Lisboa será no Bar Irreal, no próximo dia 11 de janeiro, às 19h30
Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 20 minutos para perguntas.

Agradecemos que confirme a sua presença na página do evento no Facebook:
https://www.facebook.com/events/238853899860524/

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