23º PubhD de Lisboa

Criminologia, Ciências da Comunicação, e Design

13 de dezembro, 19h30 – 21h30, no Bar Irreal

No 23º PubhD de Lisboa vamos falar sobre a tomada de decisão dos investigadores criminais, a produção humana do quotidiano, e como o design pode informar a estratégia de sustentabilidade das pequenas e médias empresas de serviços.

O PubhD de Lisboa reúne investigadores de doutoramento, ou pós-doutoramento, no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 20 minutos para perguntas.

Os oradores:

Ilustração onde é utilizado o retrato de Brandon Mayfield, advogado americano que foi preso inocentemente pelo FBI após o atentado de Atocha em Madrid. Créditos: Francisco Gonçalves.

Francisco Valente Gonçalves (Psicologia e Criminologia) estuda o processo de tomada de decisão dos investigadores criminais durante o seu trabalho e de que forma a sua motivação pode ser afectada.

No sentido de evitar os erros que existem associados ao trabalho dos investigadores forenses, o Francisco está a trabalhar num conjunto de linhas orientadoras para o trabalho, recrutamento e formação de peritos forenses.

O Francisco Gonçalves é investigador de doutoramento na Universidade de Leicester, no Reino Unido. É psicólogo clínico e forense, e também empreendedor e consultor em psicologia. Tem costela alentejana, o que lhe faz ter um gosto especial por vinho e bons repastos.

Simulação de evolução empresarial: Contraste entre o ideal e o real.
Simulação de evolução empresarial: contraste entre o ideal e o real.
Créditos: Teresa Serpa.

Teresa Serpa (Design) procura aplicar o Design à elaboração de um modelo estratégico que apoie as pequenas e médias empresas de serviços portuguesas ao nível da sustentabilidade e da longevidade.

Aglomerando os contextos da própria empresa e externos, este modelo pretende ser acessível e aplicável transversalmente a empresas em diferentes estágios de desenvolvimento e áreas de actividade.

A Teresa é investigadora de doutoramento na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa. Com uma pós-graduação em Design Estratégico e Inovação, tem uma experiência profissional que cruza diversas áreas, do design industrial e de comunicação à arquitectura, publicidade, fotografia e ensino.

Gonçalo Pena (Ciências da Comunicação) está a desenvolver uma tese em filosofia do design em que reflete sobre a ética em torno da produção quotidiana.

O Gonçalo é investigador de doutoramento na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É artista plástico e foi professor na Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha. É também membro da Associação que gere o Bar Irreal, a casa do PubhD de Lisboa.

Se quiser estar sempre a par dos próximos eventos do PubhD de Lisboa, subscreva a nossa mailing list (apenas um e-mail por mês). Siga também o evento no Facebook.

12º PubhD de Lisboa em revista

O cérebro e a mente estiveram em foco a 9 de novembro com três investigadores do Colégio Mente-Cérebro1 da Universidade de Lisboa.

 

Parkinson e a molécula da cafeína

Com o envelhecimento da população nas sociedades ocidentais, há cada vez mais pessoas com a doença de Parkinson. Tremores e movimentos lentos são alguns dos sintomas mais evidentes, mas nessa altura já 60% dos neurónios da região do cérebro afetada estão modificados.

Como a cafeína tem efeitos secundários que podem ser prejudiciais, identificaram-se entretanto moléculas semelhantes.

Segundo Diana Ferreira, do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa, a danificação dos neurónios, que ocorre logo no estado inicial da doença, deve-se à formação de agregados de proteínas dentro do neurónio. Este processo ainda não é bem compreendido, o que dificulta a identificação de um tratamento.

Em estudos em que se utilizaram ratos, disse-nos a Diana, verificou-se porém que a cafeína diminui o risco de desenvolvimento da doença de Parkinson, podendo tanto prevenir como reverter os sintomas.

Como a cafeína tem efeitos secundários que podem ser prejudiciais, identificaram-se entretanto moléculas semelhantes que atuam especificamente nos recetores dos neurónios onde se pretende intervir. É neste trabalho que está centrado o doutoramento da Diana.

Testes de memória e a plasticidade do cérebro

Os testes de memória aparentam ser um método de avaliação inócuo, mas sabe-se que o processo de recuperação da memória pode alterar a própria memória que está armazenada.

A informação que é fornecida num teste de memória pode ajudar a aprender.

Pedro Marques, da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, interessou-se pelas formas como o nosso cérebro se adapta à informação que é fornecida num teste de memória para a posterior aprendizagem de conteúdo semelhante. De facto, os testes de memória, a médio prazo, promovem a aprendizagem.

A informação que é fornecida num teste de memória pode servir para distrair, ou para ajudar a recordar, mas também para ajudar a aprender. O Pedro identificou mecanismos mentais de adaptação a essa informação que, no futuro, poderão ser considerados no desenho de testes de memória usados como ferramentas de aprendizagem.

Imagens da epilepsia

A maior parte dos doentes com epilepsia não reage aos medicamentos. Em certos casos é necessário recorrer à intervenção cirúrgica, que consiste em remover a região do cérebro que é responsável pelo distúrbio epilético, caso esta não seja também responsável por funções cerebrais importantes.

Como a atividade epilética é imprevisível, é importante obter em simultâneo a informação obtida por diversas modalidades de imagem.

Para se circunscrever a área do cérebro é usado um conjunto de tecnologias, como nos descreveu Rodolfo Abreu, do Laboratório de Sistemas Evolutivos e Engenharia Biomédica.

Como a atividade epilética é imprevisível, é importante obter em simultâneo a informação obtida por diversas modalidades de imagem, construindo assim um retrato tão completo quanto possível do que está a acontecer no cérebro em cada momento.

O trabalho do Rodolfo consiste em otimizar a utilização simultânea de um conjunto de tecnologias de imagem do cérebro, em concreto, a ressonância magnética funcional, ou fMRI, e a eletroencefalografia, ou EEG. O desafio advém do facto de estas tecnologias terem sido desenvolvidas separadamente e, portanto, a sua integração levantar um conjunto de dificuldades.

O Rodolfo, além disso, está a desenvolver métodos de ‘tradução’ entre as duas tecnologias, ou seja, métodos que associem o que se vê numa imagem ao que se vê na outra.


A 14 de dezembro teremos mais uma conversa, desta vez sobre História da Tecnologia, Medicina, e Sistemas Sustentávies de Energia. Saiba mais sobre o próximo evento.
Será na nova casa do PubhD de Lisboa, o Bar Irreal.

Se quiser estar sempre a par dos próximos eventos do PubhD de Lisboa, subscreva a nossa mailing list (apenas um e-mail por mês).

Notas: 1. O Colégio Mente-Cérebro tem como objetivo potenciar as capacidades da Universidade de Lisboa no estudo da mente e do cérebro através de parcerias e da articulação em rede entre diversas instituições, incluindo laboratórios, institutos, departamentos e infraestruturas.