21º PubhD de Lisboa : 2º aniversário

Biologia da Conservação, Engenharia Mecânica, e Quiz de Aniversário

11 de outubro, 19h30 – 21h30, no Bar Irreal

Na sessão do 2º aniversário do PubhD de Lisboa vamos falar sobre a conservação das tartarugas marinhas de São Tomé e Príncipe, e de como arrefecer componentes eletrónicos conhecendo melhor as propriedades da ebulição.

Vamos ainda falar de duas dezenas de outros fascinantes temas que passaram neste último ano pelo PubhD de Lisboa participando em grupos num quiz de aniversário.

O PubhD de Lisboa reúne investigadores de doutoramento, ou pós-doutoramento, no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 20 minutos para perguntas.

Tartaruga marinha.
Tartaruga marinha. Via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Green_turtle_swimming_over_coral_reefs_in_Kona.jpg

Joana Hancock (Biologia da Conservação) quer determinar o estado de conservação das tartarugas marinhas de São Tomé e Príncipe. Através deste estudo pretende conhecer o impacto da sobre-exploração destes animais a nível genético e demográfico, assim como desenvolver medidas de conservação adaptadas.

A Joana é investigadora de doutoramento no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Há mais de 15 anos que trabalha sobre tartarugas marinhas, lidando com grupos comunitários, ONGs, políticos, caçadores e vendedores de carne de tartaruga.

Ebulição
Créditos: A. Sathyabhama e T. P. Ashok Babu, via doi:10.1115/1.4004258

Emanuele Teodori (Engenharia Mecânica) investiga as propriedades da ebulição de líquidos sobre certas superfícies, como por exemplo, superfícies absorventes. Este estudo terá aplicações no arrefecimento de componentes eletrónicos.

O Emanuele é investigador de doutoramento no Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa. Gosta de falar em público e de trabalhar em bares.

 


Nesta sessão de aniversário terminaremos com um quiz sobre os temas falados neste último ano. Aproveite a sessão para conhecer pessoas novas e participar em grupo, descobrindo temas fascinantes que estão atualmente a ser investigados no meio académico.

Se quiser estar sempre a par dos próximos eventos do PubhD de Lisboa, subscreva a nossa mailing list (apenas um e-mail por mês).

Anúncios

20º PubhD de Lisboa: Antropologia, Cosmologia, e Política Comparada

13 de setembro, 19h30 – 21h30, no Bar Irreal

Na 20ª sessão do PubhD de Lisboa vamos falar sobre alternativas à monogamia, acerca da evolução futura do Universo, e como as perceções externas refletem e influenciam a política externa de um país.

O PubhD de Lisboa reúne três investigadores de doutoramento, ou pós-doutoramento, no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 20 minutos para perguntas.

Impressão artística do satélite Euclid
Impressão artística do satélite Euclid, uma missão espacial que irá estudar a energia escura e a matéria escura no Universo. Está previsto o seu lançamento em 2020. Créditos: ESA/C. Carreau.

Bruno Barros (Cosmologia) estuda teorias para descrever e explicar a gravidade, uma vez que a teoria de Einstein falha em certos aspectos quando procuramos compreender o Universo a grande escala. Em particular, o Bruno está a trabalhar num modelo que envolve a designada “energia escura” para explicar por que razão está o Universo em expansão acelerada.

O Bruno é mestre em Física (ramo de Astrofísica e Cosmologia) e está a fazer o doutoramento em Cosmologia Teórica no Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Chefes de estado do G-2, 2009
O ex-Presidente brasileiro Lula da Silva com chefes de estado do G-20 Financeiro, realizado em 25 de Setembro 2009, em Pittsburgh, Estados Unidos da América. Créditos:Ricardo Stucker/PR.

Débora Terra (Política Comparada) procura compreender como as perceções externas refletem o envolvimento de um país no cenário internacional. Alguns especialistas procuram encaixar países em rótulos, como potência regional, país emergente e poder global. Estas perceções permitem compreender as expectativas que recaem sobre cada país e influenciam a construção e o direcionamento de uma Política Externa.

A Débora, em particular, está a comparar as perceções da elite política e especialistas dos EUA e da China sobre o envolvimento do Brasil no cenário internacional entre 2003 e 2016.

A Débora é investigadora PRIMO Marie Curie e doutoranda em Política Comparada pelo Instituto de Ciências Socias da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa).

Swing: Eu, Tu... Eles
Capa do livro “Swing: Eu, Tu… Eles”, de Maria Silvério, Chiado Editora.

Maria Silvério procura mostrar outras formas de relações íntimas e afetivo-sexuais que não correspondem ao modelo monogâmico normativo. Através deste estudo pretende colocar em evidência que o mais importante nas relações é ir ao encontro das expectativas, desejos e vontades das pessoas envolvidas.

Maria Silvério é investigadora de doutoramento no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e autora do livro Swing: Eu, Tu… Eles. Pesquisa temas relacionados com o género, sexualidades e relações não-monogâmicas consensuais, como swing, poliamor e relacionamento aberto.

 

Agradecemos que confirme a sua presença na página do evento no Facebook:
https://www.facebook.com/events/341947852917067/

Se quiser estar sempre a par dos próximos eventos do PubhD de Lisboa, subscreva a nossa mailing list.

19º PubhD de Lisboa em revista – parte 2

José Eliézer Mikosz (Antar)1 falou-nos de poéticas visionárias e de como as reencontramos em dois artistas portugueses separados de quatro séculos.

Ao longo dos tempos e através das culturas, são recorrentes padrões geométricos, símbolos e representações espirituais que partilham semelhanças com visões alucinatórias. Para Antar Mikosz, são disso exemplo as espirais, assim como a auréola em redor de figuras sagradas.

Gravura de "De Aetatibus Mundi Imagines"
Gravura de “De Aetatibus Mundi Imagines”, de Francisco de Holanda (Biblioteca Digital Hispánica), acedida em https://tendimag.com/2012/03/17/francisco-de-holanda-gravuras/

Não são apenas as substâncias psicoativas a provocar alucinações e perturbações da ordem dos sentidos e da consciência, exploradas por exemplo pelas culturas xamânicas. Antar Mikosz disse-nos que dois por cento das pessoas as tem naturalmente, enquanto que noutras pessoas podem ser provocadas pela meditação ou pelo jejum prolongado, entre outras práticas com o mesmo fim.

Francisco de Holanda, no seu livro “Da Pintura Antiga”, escreveu sobre o “Furor Divino” como meio de inspiração.

O conceito de psicadélico, etimologicamente, significa revelar ou clarificar a alma, e por isso é bastante ampla a abordagem de Antar, no contexto do seu pós-doutoramento, aos estados especiais de perceção enquanto inspiração artística, não estando restrito ao uso de substâncias nem a um período histórico.

Antar Mikosz propôs-se investigar as poéticas visionárias e psicadélicas na obra de dois artistas portugueses separados de quatrocentos anos: Francisco de Holanda, que viveu no século XVI, e Lima de Freitas, que faleceu em 1998. Francisco de Holanda, no seu livro “Da Pintura Antiga”, escreveu sobre o “Furor Divino” como meio de inspiração. Já em Lima de Freitas, foi o conceito de “Paisagens Visionárias”, pintadas por este artista, que atraiu o interesse de Antar.

O Sol da Justiça
O Sol da Justiça, tríptico de Lima de Freitas na sala de audiências do Tribunal Judicial da Lousã (acedida em http://www.redeconhecimentojustica.mj.pt/Category.aspx?id=58).

Para Antar Mikosz é fácil reconhecer a inspiração visionária nas obras destes dois artistas, tanto pelo extenso material sobre as manifestações visionárias em arte, psicologia e antropologia que explorou no contexto do seu doutoramento, como pela sua experiência pessoal numa comunidade religiosa no Brasil, sob o efeito de uma mistura usada para fins terapêuticos e espirituais, de nome ayahuasca.

Segundo este investigador, as substâncias psicoativas são uma fonte de inspiração e podem desbloquear uma criatividade natural latente, mas não “criam” artistas. Para além disso, desaconselha-se o seu uso recreativo e não acompanhado, uma vez que é sabido que podem favorecer ou acentuar problemas de saúde mental.

1. José Eliézer Mikosz (Antar) é investigador de pós-doutoramento na Universidade Estadual do Paraná (Unespar-Embap) e na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

19º PubhD de Lisboa em revista – parte 1

Rodrigo Lacerda1 falou-nos da história e do impacto do cinema produzido por realizadores indígenas no Brasil.

Há já várias décadas que o cinema é reconhecido como um meio para dar voz aos povos e às culturas indígenas. Filmes de autores indígenas têm sido exibidos tanto em festivais de cinema indígena como nos populares festivais internacionais de cinema.

Vídeos nas Aldeias
Créditos: Vídeos nas Aldeias

Depois de uma fase inicial em que a expressão cinematográfica permanecia ainda do lado de um realizador enquanto “mediador tecnológico”, a transferência do “saber fazer” através da formação de realizadores indígenas carateriza a fase atual.

É disso exemplo o projeto “Vídeos nas Aldeias”, iniciado nos anos de 1980, no Brasil, em que se constituiu uma escola de realizadores em aldeias indígenas e o acesso a equipamento e materiais.

Segundo o Rodrigo Lacerda, um dos resultados deste acesso a um suporte visual foi a circulação entre populações indígenas de imagens e material vídeo produzidos noutras comunidades. Foi enfim possível umas comunidades terem acesso à cultura visual de outras e reconhecer afinidades culturais e linguísticas, apesar da presença da televisão, e atualmente da internet, em muitas destas populações.

As obras refletem a espiritualidade e os mitos destas populações, mas também a pressão territorial e a asfixia provocadas pelas cidades e latifúndios envolventes.

Cineastas Indígenas
Créditos: Ariel Duarte Ortega, Patrícia Ferreira (Keretxu), Jorge Ramos Morinico e Vídeos nas Aldeias

O modelo de formação segue um regime de oficina diária, com a duração de 3 semanas, centrada na prática e na discussão do trabalho feito. As obras que têm sido produzidas refletem a espiritualidade e os mitos destas populações, mas também a pressão territorial e a asfixia provocadas pelas cidades e latifúndios envolventes a estas aldeias.

Rodrigo Lacerda, que estudou a expressão cinematográfica do povo Mbya Guarani, comenta que, embora na generalidade a tipologia mais comum seja o documentário, é presente uma certa “ficção”, uma vez que as referências espirituais permeiam o dia-a-dia destes povos.

 

Algumas das obras criadas no âmbito do projeto Vídeos nas Aldeias encontram-se em acesso livre no respetivo website. O catálogo pode ser acedido em http://www.videonasaldeias.org.br/2009/video.php

Conhecer as tecnologias de produção subjacentes é ter uma consciência mais ativa e informada sobre ao nível de “verdade” e de “transparência” desses meios de disseminação.

Uma das questões que se levantam é a de saber até que ponto este acesso a uma tecnologia com origem na “cultura dominante” não corre o risco de “impor” essa mesma cultura.

Rodrigo Lacerda argumenta que a tecnologia de disseminação já faz parte do dia-a-dia de muitas destas populações através da televisão, dos telemóveis e da internet. Conhecer as tecnologias de produção subjacentes é ter uma consciência mais ativa e informada sobre ao nível de “verdade” e de “transparência” desses meios de disseminação.

Fotograma do filme “Já me transformei em imagem”, disponível em http://www.videonasaldeias.org.br/2009/video.php?c=26.
Crédito: Zezinho Yube
(Hunikui (Kaxinawá))

Por outro lado, as populações que participam no projeto Vídeos nas Aldeias fazem-no de forma voluntária e não querem ser privadas destas tecnologias e de as apropriarem à sua maneira apenas pelo facto de serem indígenas.

1. Rodrigo Lacerda é investigador de doutoramento em Políticas e Imagens da Cultura e Museologia no Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, no ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa e no CRIA-Centro em Rede de Investigação em Antropologia.

Dentro de dias publicaremos a segunda parte deste resumo, onde daremos conta do que José Antar Mikosz partilhou connosco sobre a influência de substâncias psicoativas nas artes visuais.


Depois de uma pausa nos meses de Verão, a próxima sessão do PubhD de Lisboa será a 13 de setembro, no Bar Irreal.
Se quiser estar sempre a par dos eventos do PubhD de Lisboa, subscreva a nossa mailing list (apenas um e-mail por mês).

19º PubhD de Lisboa: Antropologia e Artes Visuais em diálogo

7 de junho, 19:30 – 21:30, no Bar Irreal

Uma semana mais cedo que o habitual (para nos prepararmos para o Santo António), o PubhD de Lisboa propõe um formato um pouco diferente. Vamos falar de artes visuais e cinema do outro lado do Atlântico. Na terceira parte teremos uma conversa cruzada a partir dos pontos de contacto entre os dois temas deste mês.

O PubhD de Lisboa reúne investigadores de doutoramento, ou pós-doutoramento, no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 20 minutos para perguntas.

"Aya-vine"José Mikosz procura mostrar a influência de estados não ordinários de consciência nas representações visuais ao longo dos tempos.

O José é investigador de pós-doutoramento na Universidade Federal de Santa Catarina e na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

É professor na Escola de Música e Belas Artes da Universidade Estadual do Paraná, no Brasil. É também artista transmédia e membro de núcleos de investigação sobre Psicoativos e a Cultura Visionária/Psicadélica.


Imagem: “Aya-vine”, trabalho inspirado em experiências com ayahuasca dentro de contextos religiosos no Brasil.

Bastidores do filme “Já me transformei em imagem”, disponível em http://www.videonasaldeias.org.br/2009/video.php?c=26.
Crédito: Zezinho Yube (Hunikui (Kaxinawá)) e “Vídeos nas Aldeias”.

No Brasil, nos anos 80, a ONG “Vídeo nas Aldeias” começou a desenvolver um trabalho colaborativo com povos indígenas na área do cinema e, a partir de 1997, iniciou um processo de formação de cineastas indígenas.

Rodrigo Lacerda está a investigar o político, o espiritual e o humor no cinema Mbya Guarani na forma como se relaciona com o passado e a sociedade colonial.

O Rodrigo está a fazer o doutoramento em Políticas e Imagens da Cultura e Museologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, no ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, e no Centro em Rede de Investigação em Antropologia.

Rodrigo Lacerda estudou Cinema e Televisão na London Metropolitan University e National Film and Television School, no Reino Unido. Co-realizou e produziu vários filmes/documentários e fez entretanto o mestrado em Antropologia.

Agradecemos que confirme a sua presença na página do evento no Facebook:
https://www.facebook.com/events/130055057563289/

Se quiser estar sempre a par dos próximos eventos do PubhD de Lisboa, subscreva a nossa mailing list.