42º PubhD de Lisboa: Biologia Vegetal e Bioquímica.

Quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020, 19:30 – 21:00, no Má Língua.

A videira e os seus mecanismos para combater doenças, e estratégias para combater vírus que infetam o cérebro, serão os dois temas em conversa na sessão do 42º PubhD de Lisboa.

O PubhD de Lisboa reúne investigadores de doutoramento no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 25 minutos para perguntas.

Os oradores

Ana Rita Cavaco
Papel das membranas lipídicas em processos de defesa contra doenças fúngicas em videira. Créditos: Ana Rita Cavaco

Ana Rita Cavaco (Biologia Vegetal) tem como principal objetivo compreender os mecanismos de reação da videira a doenças. O seu trabalho vai contribuir para a descoberta de novas e mais sustentáveis estratégias de controlo de doenças como o míldio e o oídio. Para além disso, vai também ajudar na deteção precoce de doenças em culturas de videira.

A Ana Rita é doutoranda do Instituto de Biossistemas e Ciências Integrativas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
A curiosidade pela biologia vegetal despertou-lhe o interesse pela videira, e também cada vez mais pelo seu produto final, o vinho.

 

Diogo PubHd
Combater vírus residentes no cérebro atravessando a barreira hematoencefálica usando conjugados de péptido-droga. Créditos: Diogo Mendonça

Diogo Mendonça (Bioquímica) tem como objetivo desenvolver moléculas que sejam capazes de penetrar no cérebro e atacar vírus que infetam este órgão, como o Zika, o Dengue, ou o VIH, e lhe causam lesões irreversíveis.

O sucesso do seu trabalho poderá resultar numa possível terapia inovadora contra estas e outras infeções virais no cérebro.

O Diogo é investigador de doutoramento no Instituto de Medicina Molecular – João Lobo Antunes. Assume ser um jovem cientista, em constante procura de novos contributos para a área da investigação biomédica.

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41º PubhD de Lisboa em revista

Os Festivais da Canção e a relação entre a música e a televisão, e as novas abordagens para a regulação da cor da pele: estes foram os temas em conversa na sessão do 41º PubhD de Lisboa.

Festivais da Canção e a relação entre a música e a televisão

O concurso mais duradouro da televisão portuguesa, desde 1964 na RTP, mereceu a atenção por parte da Sofia Vieira Lopes, investigadora no Instituto de Etnomusicologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (INET-MD). O Festival RTP da Canção, concurso português, leva os seus vencedores ao Festival Eurovisão da Canção. Neste último, onde vários países se reuniram no contexto do pós Segunda Guerra Mundial, criou-se uma comunidade em torno da tecnologia de broadcasting.

Através deste estudo, a Sofia pretende compreender de que forma é escolhida a representação nacional e como esta é pensada pelos diversos agentes envolvidos. Em 2017, o Festival RTP da Canção voltou à ribalta em Portugal devido à vitória de Salvador Sobral com o tema “Amar pelos Dois” e a primeira vitória portuguesa no Festival Eurovisão da Canção. 

Sofia Vieira Lopes
(Créditos: Carolina Figueira)

Mas a investigação da Sofia começou antes desse fenómeno e trouxe uma questão pertinente: o que é afinal uma música que possa representar o país num Festival?

“As alterações levam o Festival a adaptar-se à música que é produzida hoje em dia…

afirma, não havendo regras, impostas para a submissão de músicas, no que ao estilo diz respeito.

Este concurso é especial, não só pela sua longevidade (mais de 50 anos), mas porque congrega cerca de 700 canções originais, escritas propositadamente para o festival, e onde se reúnem mais de 1600 profissionais só da área da música. Foi durante muitos anos um evento fundamental para a carreira de muitos artistas portugueses. No entanto, a ligação entre as várias indústrias foi-se deteriorando, assim como a relação entre os artistas e o concurso.

O objetivo do estudo da Sofia é perceber a relevância do Festival da Canção, o seu papel nas memórias coletivas e na construção de narrativas sobre as identidades nacionais relacionadas com estas memórias.

Quer também perceber de que forma se criam “comunidades imaginadas” em torno da ideia da representação do país, como é que a música as operacionaliza e agrega. Ainda, espera desvendar o papel da televisão na criação destas narrativas e na forma de moldar as memórias coletivas.

Novas abordagens para a regulação da cor da pele

A Doença de Griscelli é uma doença genética rara, caracterizada pela falta de pigmentação da pele e que pode atingir na mesma proporção homens e mulheres. Além da aparência parcialmente albina, pode provocar reações do sistema do nosso corpo que nos defende de elementos estranhos, como bactérias e vírus, chamado sistema imunitário. É o objeto de estudo do João Charneca, investigador do Centro de Investigação em Doenças Crónicas (CEDOC) da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.

A pigmentação da nossa pele deve-se à comunicação entre dois tipos de células: uma que envolve toda a nossa pele e recebe o pigmento, aquilo que dá a cor à pele, o queratinócito; e outra que produz a melanina (a cor), o melanócito, que se encontra mais fundo na nossa pele.

Podemos também encontrar melanócitos nos sinais que todos temos na pele, mais escuros e salientes. Para termos cor na nossa pele, a melanina que é produzida pelos melanócitos tem que ser transportada para os queratinócitos, que se encontram numa camada superior da pele. 

Os pacientes com a doença de Griscelli têm um defeito no transporte da melanina e o objetivo deste projeto é perceber este defeito. Para explicar o funcionamento da doença, o João levou a audiência por uma viagem a uma fábrica que todos temos. Esta fábrica é o melanócito, em forma de estrela. A melanina é uma caixa preta produzida no centro dessa fábrica. Quando a caixa preta está completa, e mantendo a analogia, é necessário um operário que pegue na caixa e a coloque num tapete rolante que a levará à saída. Esse operário é uma proteína (RAB27A) que as pessoas com a doença de Griscelli não têm. 

Não havendo um operário responsável por esta tarefa, as células ficam confusas, continuam a produzir caixas pretas e a acumulá-las na fábrica, como num armazém.

João Charneca
(Créditos: Andreia Ferreira)

O resultado é um tom de pele muito claro ou com muitos pontos escuros, tendo semelhanças com as sardas. Esta proteína não só trabalha nesta fábrica como assegura um trabalho semelhante no nosso sistema imunitário. Se não existir, estamos mais suscetíveis a doenças e outros problemas graves, resultantes de o sistema imunitário atacar o nosso próprio corpo, e que podem ser fatais. 

O único tratamento atual é um transplante de medula óssea: as células do dador conseguem compensar a proteína que está em falta. Este transplante não resolve totalmente o problema, apenas consegue curar os problemas de origem imunológica.

Os pacientes sujeitos a transplante continuam a ser mais propensos a ter cancros de pele e, sobretudo em países menos desenvolvidos onde a doença tem maior impacto, podem sofrer de problemas associados à discriminação racial. Não havendo a possibilidade de transplante de medula óssea, o paciente viverá dependente de medicamentos.

O objetivo da investigação do João é recriar a doença num contexto laboratorial através da produção de pele humana artificial. O método consiste em produzir a proteína fora do paciente, conseguir encapsulá-la num creme e que esse creme penetre na pele. O creme deverá penetrar o suficiente para chegar ao “centro da fábrica” e repor a proteína que está em falta. Se isso funcionar, mostrará que é possível solucionar o problema. 

41º PubhD de Lisboa: Ciências Musicais e Medicina.

Quarta-feira, 8 de janeiro de 2020, 19:30 – 21:00, no Má Língua.

Festivais da Canção e a relação entre a música e televisão, e novas abordagens para a regulação da cor da pele, serão os dois temas em conversa na sessão do 41º PubhD de Lisboa.

O PubhD de Lisboa reúne investigadores de doutoramento no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 25 minutos para perguntas.

Os oradores

Festival da Canção da RTP e Festival Eurovisão da Canção.
Festival da Canção RTP e Festival Eurovisão da Canção. Créditos: Fotografia de Sofia Vieira Lopes

Sofia Lopes (Ciências Musicais) foca a sua investigação no Festival RTP da Canção e da Eurovisão da Canção, e tem como principal objetivo compreender o papel destes eventos na representação do país a nível nacional e internacional.

A ligação destes espectáculos com a indústria da música e os media é também alvo do seu doutoramento.

A Sofia é investigadora no Instituto de Etnomusicologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Tem desenvolvido investigação acerca da relação entre a música e a televisão. Ao longo do seu percurso foi professora de música em Conservatórios e organiza a conferência internacional EUROVISIONS, um espaço que permite a troca de ideias sobre a Eurovisão.

Cor de pele
Créditos: utilizador Saffy no website flickr.com

João Charneca (Medicina) tem como objetivo da sua investigação perceber como a comunicação entre células regula a cor da pele.

O seu trabalho pode no futuro ser a base para a intervenção cirúrgica em queimados, com a aplicação de transplantes de pele de cor igual à do paciente.

O João é investigador do Centro de Investigação em Doenças Crónicas (CEDOC) da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.

As suas raízes são alentejanas, mas o seu percurso já passou pelo Algarve e está atualmente em Lisboa dedicado ao seu doutoramento. Gosta de jogos de tabuleiro e de falar sobre ciência, sobretudo em boa companhia… Ideal para o PubhD.

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39º PubhD de Lisboa em revista

Novos métodos de diagnóstico e terapia para o cancro da mama e a conservação das mantas gigantes no México

Novos métodos de diagnóstico e terapia para o cancro da mama

O cancro da mama é o tipo de cancro mais frequente entre as mulheres de todo o mundo. Segundo a Andreia Ferreira, investigadora de doutoramento no Centro de Estudos de Doenças Crónicas (CEDOC) da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal morrem cerca de 6000 mulheres por ano, o equivalente a quatro mulheres por dia. Apesar de existirem melhorias nos métodos de diagnóstico, sensibilização e formas de prevenção, ainda não se compreendem os mecanismos que levam uma célula a tornar-se invasiva.

Esta investigadora dedica-se, em particular, ao estudo de tumores não invasivos  e invasivos causadores das metástases (formação de novos tumores em diferentes órgãos) que são responsáveis pelo maior número de mortes. Está empenhada em fazer um estudo do carcinoma (tumor), nomeadamente através da análise de uma família de proteínas que transportam moléculas e controlam o seu “tráfego”, quer dentro das células, quer fora delas. Esta família de proteínas é pouco conhecida, havendo poucos estudos sobre a sua relação com o desenvolvimento de cancros invasivos. Ainda assim, a investigadora foca-se neste tipo específico de proteínas, referindo que 

Se não houvesse um se, não havia ciência.

Andreia Ferreira no 39º PubhD de Lisboa.
(créditos: Carolina Figueira)

A Andreia utiliza preferencialmente células de pacientes com cancro da mama, com amostras de tumores invasivos e não invasivos, que lhe permitem uma análise mais concreta da progressão desta doença. Mas, o acesso a estas amostras nem sempre é facilitado e nem todas podem ser utilizadas. Então, utiliza outros métodos para conseguir analisar a progressão do cancro da mama (como linhas celulares ou culturas de células em três dimensões).

O projeto procura compreender o papel deste tipo de proteínas na progressão do cancro da mama, comparando a sua expressão no cancro invasivo e não invasivo, com o objetivo de desenvolver terapias bem como métodos de diagnóstico, de forma a conseguir distinguir os casos que vão progredir para cancro da mama invasivo daqueles que nunca vão progredir. Deste modo, é possível evitar mastectomias (tratamento cirúrgico onde se remove completamente a mama) ou radioterapias desnecessárias, que atacam também outras partes do nosso organismo e têm acentuados efeitos secundários que afetam a nossa vida do dia-a-dia. 

A conservação das mantas gigantes no México

As mantas gigantes (Mobula birostris) são espécies oceânicas que podem medir 7 a 9 metros (de dimensão entre “asas”). Apelidadas de gentle giants, vivem em alto mar, possuem o maior cérebro dos peixes, reproduzem-se lentamente (a sua gestação decorre durante 12 meses e só têm crias a cada 3 ou 4 anos) e, também por isso, em 2011 foram consideradas uma espécie vulnerável. 

Madalena Cabral no 39º PubhD de Lisboa.
(créditos: Carolina Figueira)

Madalena Cabral, bióloga marinha e investigadora de doutoramento na Universidad Autónoma Baja California Sur, refere que as mantas gigantes não vivem nem sobrevivem em aquário e são pescadas quer intencionalmente, quer em redes de pescas de outros peixes. Quando pescadas, sobretudo pelas suas branquias (que filtram o plâncton, pequenos organismos que servem de alimento a animais maiores) são utilizadas principalmente na medicina chinesa em vários medicamentos tradicionais. 

As mantas valem mais vivas do que mortas,

uma vez que representam uma receita de cerca de 100 milhões de dólares por ano no turismo. Esta investigação tem o objetivo de compreender os hábitos das mantas gigantes, especificamente no México (como o facto de visitarem diversos locais e porquê) como meio de facilitar as tomadas de decisão acerca da gestão do espaço no que toca a esta espécie. Perceber, por exemplo, as zonas que devem ser protegidas, as alturas do ano em que as pescas devem ser suspensas, estabelecer os limites de pesca ou cooperação entre países.

Como ferramentas utiliza uma base de dados, criada em 2006, com fotografias do ventre das mantas que servem como impressão digital de cada uma. Estas fotografias podem ser tiradas por qualquer pessoa que faça mergulho, que envia para a base de dados e revele algumas indicações. Esta metodologia insere-se na Ciência Cidadã onde o cidadão comum participa ativamente na produção de conhecimento científico. 

A Madalena tem vindo a trabalhar também com um sistema de tags (etiquetas) que são ferramentas do tamanho de uma caneta, que se colocam nas mantas aquando do mergulho com arpão, possuem um sistema automático de libertação e que envia a informação por satélite. Uma vez que em profundidade este sistema não funciona, o tag envia a informação apenas quando a manta vem à superfície.

As rotas de movimento das mantas gigantes obtêm-se através da sobreposição de variáveis como mapas com os locais onde habitam, mapas de fotos por satélite, a clorofila ou a temperatura da água. Segundo a investigadora, as correntes marítimas podem também ter influência nestas rotas, mas é difícil obter dados que comprovem de que forma têm influência. Não descarta também a possibilidade das alterações climáticas a que assistimos poderem influenciar e transformar as rotas das mantas gigantes.

40º PubhD de Lisboa: Especial “Infinitamente Pequeno”

Quarta-feira, 4 de dezembro de 2019, 19:30 – 21:00, no Má Língua.

Converter computadores em cientistas, e procurar nos aceleradores de partículas sinais de Física ainda desconhecida, serão os dois temas em conversa na sessão especial dedicada ao infinitamente pequeno.

O PubhD de Lisboa de dezembro decorre como evento de comunicação de ciência integrado no programa de um workshop internacional na área da Física de Partículas, organizado pelo Laboratório de Instrumentação e Partículas (LIP).

O PubhD de Lisboa reúne investigadores de doutoramento no ambiente informal de um bar, para explicarem a sua investigação em linguagem acessível e responderem a perguntas. Cada apresentação terá a duração de 10 minutos, seguida de 25 minutos para perguntas.

Os oradores

O detetor CMS.
O detetor CMS, no grande colisionador de hadrões (Large Hadron Collider-LHC), no Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN). Créditos: Giles Strong

Giles Strong (Informática aplicada à Física de Partículas) converte computadores em cientistas, para conseguirmos compreender a avalanche de informação que recolhemos sobre o infinitamente pequeno e daí retirarmos conhecimento sobre as interações físicas fundamentais no Universo.

O Giles desenvolve ferramentas de análise de dados que permitem conhecer o Universo em maior detalhe, e podem poupar muitos anos de trabalho (assim como milhões de euros). Estas ferramentas permitem também planear as experiências futuras.

Nota: esta apresentação e a sessão de perguntas-e-respostas serão feitas em inglês.

O Giles é investigador de doutoramento no Laboratório de Instrumentação e Partículas-Instituto Superior Técnico (LIP/IST) e investigador no CMS, um detetor de partículas no Centro Europeu de Pesquisa Nuclear-CERN. Através do seu blogue, publica alguns textos de comunicação do seu trabalho ao público geral.

Desintegração da partícula que explica porque as outras partículas têm massa - o bosão de Higgs.
Imagem obtida na experiência ATLAS, no Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN), em que é representado o processo de desintegração da partícula que explica porque as outras partículas têm massa – o bosão de Higgs.

Ricardo Barrué (Física de Partículas) pretende utilizar a partícula que explica porque as outras partículas têm massa – o chamado bosão de Higgs – para detetar sinais minúsculos e ainda desconhecidos que nos levem mais perto de compreender a origem do Universo e como ele se tornou naquilo que é hoje.

O Ricardo é estudante de doutoramento no Laboratório de Instrumentação e Partículas (LIP). Para além de um apaixonado pela física e pelo cérebro humano, descreve-se como um curioso de ginja e amante de tudo o que é estranho e interessante.

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